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“Neta 117” desaparecida no regime militar argentino se reúne com avós

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Claudia Dominguez Castro, “neta 117” encontrada após ter nascido em cativeiro. foto: Agencia Brasil/ divulg

Claudia Dominguez Castro, “neta 117” encontrada após ter nascido em cativeiro durante a ditadura militar argentina e que descobriu em agosto que seus pais foram prisioneiros políticos, reencontrou-se publicamente hoje (16) com suas avós biológicas e confessou que, apesar de saber que era adotada, a possibilidade de ser filha de desaparecidos políticos “era pequena, porém não impossível”.

“Meus pais adotivos sempre me disseram a verdade, por isso a dúvida sempre existiu, porém sem alinhamento relacionado ao terrorismo do Estado. Só o ano de nascimento me gerava dúvida neste sentido. A possibilidade era pequena, porém não impossível”, disse Cláudia em um coletiva de imprensa, depois de contar que quando, no mês de julho, o Banco de Dados Genéticos passou por Mendoza, cidade onde reside, ela decidiu fazer a análise.

Cláudia é casada, vive na mesma cidade de uma de suas avós biológicas e é mãe de três filhos, de 1, 6 e 9 anos. Ela disse que está “muito emocionada” nos últimos dias. Ela se encontrou com as avós Maria Assof Dominguez , presidenta das Mães de Maio de Mendoza e reconhecida ativista em defesa dos direitos humanos, e Angelina Catterino de Castro.

“Agora tenho quatro pais”, disse Cláudia. Ela é filha de Gladys Castro e Walter Dominguez, que foram presos e desaparecerem durante a última ditadura cívico-militar argentina.

Angelina disse que o encontro é uma emoção tão grande que não pode descrever, “depois de esperar encontrar a neta em todo momento por 37 anos”. Maria criticou, com dor e lágrimas, “toda a dor que causaram esses assassinos” e pediu “que todos vejam o dano que lhes causaram”.

“Que necessidade ela tem de estar vivendo tudo isto agora? Se eles tivessem tido a generosidade de a menos leva-la novamente para a casa de seus familiares, com fizeram em alguns casos… É um dano muito grande que causaram estes assassinos”, disse Maria.

Os pais biológicos de Cláudia militavam no Partido Comunista Marxista Leninista (PCML), até que, em 9 de dezembro de 1977, foram sequestrados por militares na casa em que viviam em Godoy Cruz, localizada na província de Mendoza.

Ontem, um comunidado emitido pelas Avós da Praça de Maio pediu à imprensa que “ao existir uma causa judicial em trâmite na Justiça Federal, não se indague sobre a vida prévia da neta recuperada e respeite sua privacidade”.

Ao conhecer o resultado dos exames de DNA, Claudia entrou em contato com as avós, a quem conheceu poucos dias depois e, a partir daí, foi entrando em contato com os demais parentes pessoalmente ou por meio das redes sociais. Ao ver as fotos de seus pais biológicos, ela disse que se reconheceu fisicamente e também em alguns gestos e gostos pessoais, como a pintura e tocar violão.

Claudia também pediu “respeito e privacidade” à imprensa, já que todos somos seres humanos e este processo recém começou. “Quero cuidado para poder agir de maneira livre, pois não tenho nada a esconder. Sei que são causas históricas, de peso, porém isto é particular e é nosso”, concluiu.

 

Por Agencia Brasil

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