Dia a dia

Nascentes representam esperança para salvar no igarapé do Mindu

Parque localizado na Zona Leste abriga as três nascentes de um dos principais igarapés de Manaus, que ainda estão preservadas - foto: Márcio Melo

Parque localizado na Zona Leste abriga as três nascentes de um dos principais igarapés de Manaus, que ainda estão preservadas – foto: Márcio Melo

Protegido por mata nativa em área de conservação ambiental no bairro Cidade de Deus, na Zona Leste, o Parque Nascentes do Mindu é o único trecho do igarapé, que está livre da poluição. Com 22 quilômetros de extensão que atravessando mais de dez bairros, o Mindu é o principal igarapé da capital. Boa parte dele está ‘morto’ e ocupado por habitações irregulares. A despoluição requer um grande volume de dinheiro, implantação de políticas públicas impopulares como a retirada de moradores das margens do igarapé e trabalho de conscientização.

A nascente foi escolhida pela Prefeitura de Manaus para um manifesto no Dia Mundial da Água, celebrado ontem. Servidores da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) e moradores do entorno do parque realizaram um abraço simbólico. “O objetivo de criação do Parque Nascentes do Mindu é exatamente para proteger estas três nascentes que dão origem ao igarapé. Enquanto as nascentes estão protegidas, há esperança de despoluir o igarapé. Quando sai do nosso limite de atuação, aí começa a sofrer toda a pressão da cidade urbana”, destacou o diretor de Áreas Protegidas da Semmas, Márcio Bentes.

Segundo ele, a poluição do igarapé ocorre por diversos fatores, entre os principais estão a falta de tratamento de esgotos e o lixo que é jogado nas ruas e que, com as chuvas, acaba indo parar dentro do igarapé. De acordo com Bentes, é preciso investir e trabalhar arduamente em parceria com os órgãos de proteção ambiental e com a população para salvar o igarapé. “Nós precisamos de todo um sistema adequado para poder tratar o recurso hídrico. A gente precisa de uma série de condicionante para que um dia possamos ter um igarapé revitalizado e requalificado, dando um uso adequado a ele. No momento ainda não temos previsão de custos de quanto custaria para revitalizar, mas aquilo que cabe a gente nós cuidamos”, comentou.

Conscientização

Conforme Márcio, todo o trabalho das equipes da Semmas é voltado para conscientizar a população de que não se deve poluir ainda mais o igarapé. Mesmo com todo o trabalho que vem sendo feito junto as comunidades, ele frisa que ainda é preciso melhorar para que um dia o Mindu não sofra mais os efeitos de poluição em sua área urbana. “Nosso esforço todo é no sentido de conscientizar as pessoas, aqui mesmo no Parque das Nascente do Mindu temos um trabalho grande com a comunidade. Nós precisamos avançar muito, o processo de transformação da sociedade é lento, mas é possível, e a gente precisa todo dia fazer um pouco, para um dia lá na frente a gente conseguir uma coisa melhor”, destacou.

Questionado se acredita na revitalização completa do igarapé do Mindu, Márcio comentou que sim, porém afirmou que esse será um processo longo. E que depende não só das autoridades, mas de um trabalho e esforço conjunto com a população. “É um trabalho de longo prazo, a poluição é imediata e rápida, mas a recuperação dele é muito longa. Nós precisamos fazer investimento financeiro e investir muito nas pessoas, para que possamos melhorar no futuro. Se tiver investimento e trabalho árduo por parte do poder público e da sociedade a gente pode ter um dia nosso igarapé recuperado. Porque sozinho não vamos dar conta”, pontuou.

Por Michelle Freitas/EM TEMPO

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