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‘Não vai ter Fecani’, diz associação que promove evento anualmente

A 31ª edição do Fecani estava prevista para acontecer no período de 3 a 6 de setembro - foto: divulgação

A 31ª edição do Fecani estava prevista para acontecer no período de 3 a 6 de setembro – foto: divulgação

A polêmica que envolve a redução no repasse de verbas para o 31º Festival da Canção de Itacoatiara (Fecani) parece estar longe de um ponto final. A Associação dos Itacoatiarenses Residentes em Manaus (Airma) não concordou com a proposta do governador do Amazonas, José Melo (PROS), de realizar o festival no fim de outubro.

A proposta foi apresentada por Melo em coletiva realizada ontem, na sede do governo, localizada no bairro da compensa, Zona Oeste da capital.

Alegando que o orçamento do Estado está apertado José Melo afirmou que não teria como dispor de R$ 1,5 milhão para a realização do Fecani. O governador propôs, então, aos organizadores do festival que o evento fosse realizado no fim de outubro, e com o valor reduzido. Segundo relatou o próprio governador, ele foi buscar recursos da iniciativa privada para que o Fecani não deixasse de acontecer. “No ultimo ano o Fecani teve corrida de saco, antigamente os artistas se apresentavam para mostrar o seu talento. Eu já consegui R$ 500 mil em parceria com a iniciativa privada, vou correr atrás de mais R$ 300 mil. Acredito que com esse valor nós conseguiremos fazer um festival grandioso”, considerou Melo.

As declarações de José melo não agradaram os organizadores do Festival da canção. Segundo o coordenador geral do Fecani, Emanuel Jorge Nassib Olímpio, se depender dele o Fecani não vai acontecer. Manolo, como é conhecido, não se sentiu satisfeito com a proposta do chefe do executivo estadual. O coordenador informou ainda, que a Airma vai realizar um festival menor, com uma quantidade reduzida de eventos nas datas em que já estava previsto a ser realizado o Fecani.

“É vergonhoso para um governador não conhecer o evento grandioso que ele tem nas mãos. Ele deu sua palavra que ia nos repassar R$ 1,5 milhão. Confiamos nele, e agora nos apresenta esse valor. Manda ele usar esse dinheiro na educação, saúde, segurança. Se ao menos a educação prestasse eu até ficaria calado”, diz.

Manolo reclamou do repasse para a festa dos bois de Parintins, Garantido e Caprichoso, afirmando que é fácil realizar um festival com dois Bois, mas é difícil fazer um com 47 eventos. “Estamos reclamando porque o governo passa R$ 14 milhões para o festival de Parintins, que não é mais o mesmo e teve nesse ano o resultado comprado, repassou R$ 1,5 milhão para fazer o de Manacapuru, e vem com esses R$ 500 mil para Itacoatiara”, argumentou.

A coordenadora de eventos culturais da Airma, Hiléia Palmeira, afirma estar preocupada com tudo que já foi gasto para o festival. “Eu imagino agora um pai ou uma mãe falando para o filho que ele não vai mais se apresentar, a tristeza dessa criança será grande. Ele [José Melo] diz que tem corrida de saco, mas na verdade não conhece o festival. Temos 47 eventos que envolvem teatro, poesia, musica, dança, é um evento cultural e precisa ser valorizado”, afirmou.

O festival estava programado para ser realizado de 3 a 6 setembro e já haviam sido firmados contratos com as atrações nacionais CPM 22 e Raça Negra, o cantor Alceu Valença e a funkeira MC Ludmilla.

Sacrifícios

José Melo afirmou que “precisou sacrificar” alguns eventos culturais como os festivais de Ópera, Rock, Jazz, e Cinema, para não deixar de lado os setores da saúde, educação, e segurança. Segundo ele, o Governo está trabalhando com prioridades para passar pela atual crise econômica que todo o Brasil enfrenta. “Não posso deixar as pessoas morrerem em hospital para fazer festa”, ponderou Melo, ressaltando que há outra prioridade eminente no Amazonas.

Melo frisou que quer valorizar o talento do artista local. “Nossos irmãos que sofreram com a cheia precisam de recursos, e o nosso governo já gastou R$ 41 milhões com as famílias afetadas. Então, temos essas prioridades. A cultura continua sendo uma delas, mas há outras que precisam ser vistas antes. No campo da cultura minha prioridade é não faltar recursos para nossos artistas locais”, disse.

De acordo com Melo, há o interesse em fazer uma parceria com a Airma, responsável pela realização do evento, ou a liberação da entidade para que o Governo assuma a organização do festival este ano. “Se a associação não tem condições de fazer, o Governo quer assumir. Se a Airma me permitir, eu faço o festival no final de outubro. Mas não queremos fazer só, queremos desenvolver o em parceria com eles. Mas faço o desafio de fazer os eventos em época de vacas magras. Eu não quero que pare, pois é um festival que gera emprego e renda”, completou.

Inadimplência

De acordo com o secretário de cultura do Amazonas, Robério Braga, se o governo tivesse dinheiro em caixa para repassar aos festivais, o repasse não poderia ser feito, pois muitas das associações e organizações responsáveis pela realização dos eventos culturais estão inadimplentes.

“A verba é dada pelo Estado, mas na hora de prestar conta não está ocorrendo como era para acontecer. Desde 2009, os processos não vêm sendo satisfatórios”, afirmou Robério.

Segundo um levantamento feito pelo secretário da cultura, 28 das 61 associações, que estão conveniadas com o Estado, encontram-se inadimplentes e com o convênio bloqueado, ou seja, estariam legalmente impossibilitadas de receber recursos governamentais. De acordo com Robério, são destinados anualmente à pasta de Cultura R$ 184 milhões, cerca de 0,83% do orçamento do Estado.

Por Asafe Augusto

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