Política

‘Não uso do meu poder para fazer vingança’, responde Cardozo a Cunha

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“Eu posso afirmar em alto e bom som: o presidente da Câmara pode ficar absolutamente tranquilo que eu não fui a Curitiba esconder bens nem tentar ocultar bens ou conta no exterior, porque não os tenho”, provocou o ministro, em referência às contas de Cunha na Suíça. foto: divulgação.

O ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) respondeu com ironia e irritação às críticas do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), diante da nova fase da Operação Lavo Jato, realizada nesta terça-feira (15).

Ao todo, a Polícia Federal cumpriu 53 mandados de busca e apreensão. Além de Cunha, estão entre os alvos da PF dois ministros filiados ao PMDB e dois senadores.

“Não sou daqueles que faz retaliações, que usa do meu poder para fazer vingança. Eu sou daqueles que defende a democracia”, afirmou o ministro. “Jamais retaliarei aqueles que usam também o seu poder para me retaliar”, disse ele após participar de evento com a presidente Dilma Rousseff.

O petista ainda reagiu diante de insinuação, feita por Cunha, de que sua ida à Curitiba para “reuniões de madrugada”, na semana passada, tinha o objetivo de envolvê-lo nas ações da PF.

“Eu posso afirmar em alto e bom som: o presidente da Câmara pode ficar absolutamente tranquilo que eu não fui a Curitiba esconder bens nem tentar ocultar bens ou conta no exterior, porque não os tenho”, provocou o ministro, em referência às contas de Cunha na Suíça.

“Está na minha agenda o que eu fui fazer: fui em uma reunião com o secretário de segurança pública [do Estado] a partir de uma demanda que no dia anterior me havia sido apresentada pelo governador Beto Richa [PSDB]”, disse o ministro. “A ida à Curitiba foi absolutamente normal. Por que na madrugada? Porque fiquei até tarde em uma reunião com a presidente no Alvorada [residência oficial de Dilma]. Isso foi registrado publicamente na minha agenda”, explicou.

Para ele, a acusação feita por Cunha é “absolutamente indevida e incorreta”.

“NINGUÉM ACIMA DA LEI”

Cardozo respondeu ainda à fala de Cunha sobre o foco, nesta fase da Lava Jato, em quadros do PMDB. Segundo o deputado, o governo age por “revanchismo”, na tentativa de jogar nas costas de seu partido a “roubalheira do PT”.

Para o ministro da Justiça, as apurações envolvem “tudo e todos”. “Pouco importa o partido, pouco importa se pertence ao PT, ao PMDB, à oposição. Todos têm que ser investigados. Não há ninguém que está acima da lei, embora algumas pessoas parecem que se julgam acima dela”, disse, em nova alfinetada à Cunha.

O petista ponderou que todos os envolvidos, “inclusive o presidente da Câmara, têm direito ao contraditório e à ampla defesa”.

Cardozo ainda se manifestou sobre o processo de impeachment da presidente Dilma, em tramitação na Câmara. Para o petista, “não existe nenhum fundamento jurídico” no pedido. “Confio na Câmara dos Deputados, no Senado, nos poderes constituídos no Brasil. Nós passamos muitos anos no Brasil para conquistar um Estado de direito. E nós não vamos perder aquilo que conquistamos”.

Ele acompanhou a presidente na tarde desta terça na abertura da 1ª conferência nacional de políticas indigenistas, em Brasília. Em um discurso de cerca de 20 minutos, Dilma destacou o que já foi feito por seu governo para a população indígena e as próximas ações voltadas aos índios. Ela não mencionou a operação realizada hoje pela Polícia Federal.

 

Por Folhapress

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