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Editorial

Não se vota em ministro

O senador do PTB pernambucano, Armando Monteiro Neto, foi indicado ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior pela presidente reeleita Dilma Rousseff e já está se adaptando à nova função, trabalhando na transição com o ministro Mauro Borges. Armando Monteiro deve ter sido talhado para a pasta: toda a sua carreira política foi ligada às atividades industriais e presidiu a Confederação Nacional da Indústria.

Talvez seja muito cedo para dizer, mas a indicação tem tudo a ver com a repartição dos aparelhos do Estado com os partidos da base aliada, que marcou os governos petistas, desde que tiraram de algum baú sociológico o estranho conceito de governabilidade, na base do “é dando que se governa”. Não mais estranho, no entanto, quanto para o eleitor que votou e elegeu vereador, deputado e senador e os vê transformados em secretários ou ministros de Estado, por mais competência que tenham esses ungidos na área em que deverão atuar.

Nesse caso, não é cedo para confirmar – a experiência não deixa margem a desmentidos: trata-se, sim, de acomodação nas (e das) bases aliançadas; o vereador deslocado para o cargo de secretário municipal abre vaga para um suplente que, na maioria das vezes, foi muito mal votado. É uma negociata muito bem montada para lograr o eleitor. Não se escolhe secretário ou ministro de Estado por meio de voto. Deveria perder o mandato quem desrespeitasse a vontade do eleitor, mas não é assim: a qualquer momento, ele pode voltar para o cargo que lhe ofereceu esse cidadão que acredita na representação pelo voto.

Trata-se de uma fraude consentida pelo Estado e tolerada (por assédio moral e constrangimento) pelo cidadão. Por que só a quantidade de votos é que faz de um vereador, secretário, ou de um senador, ministro? A governabilidade, claro.

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