Esportes

Na luta por uma vaga nas Olimpíadas do Rio 2016

No judô, Rafaela Barbosa e na luta olímpica, Waldeci Silva, compõem a seleção brasileira - Foto: Márcio Melo

No judô, Rafaela Barbosa e na luta olímpica, Waldeci Silva, compõem a seleção brasileira – Foto: Márcio Melo

Não é de hoje que o talento dos lutadores amazonenses chama atenção dos aficionados pelo mundo das lutas.  Quem não se lembra dos feitos de Walid Ismail, oito vezes campeão brasileiro de Jiu-Jítsu e campeão mundial de Vale-tudo pelo International Vale Tudo Championship (IVC). Sem contar na talentosa geração do MMA, representada por José Aldo e Ronald Jacaré que conquistam títulos Brasil afora.

Com os esportes olímpicos não tem sido diferente. No judô, Rafaela Barbosa e na luta olímpica, Waldeci Silva, compõem a seleção brasileira e driblam as dificuldades de patrocínio para conquistar uma vaga na equipe que vai disputar os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro.

A judoca amazonense Rafaela Barbosa, 22, garantiu vaga na seleção brasileira em dezembro de 2014, após vencer cinco lutas em uma seletiva, e hoje aguarda a escolha da equipe que representará o país nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro no ano que vem. A escolha do grupo, que será feita pela confederação – composto por 14 atletas principais, sendo 7 mulheres e 7 homens e mais 14 reservas – está agendada para abril de 2016.

“Irão escolher quem faz parte da seleção para compor a equipe. Estou na expectativa muito positiva. Estou esperando que tudo vá dar certo”, afirma.

Entrar para a seleção foi a cereja do bolo da judoca que em 2014, venceu todos os panamericanos e foi a primeira amazonense a medalhar no panamericano Sênior. Em 2011 foi campeã dos jogos universitários e em 2015, conquistou o bronze na mesma competição.

Com este currículo e após conquistar a vaga na seleção, Rafaela acreditou que seria mais fácil firmar parcerias com a administração pública e empresas privadas na busca de patrocínio. Contudo, a atleta da seleção deparou-se com enorme dificuldade. “Fiquei feliz quando entrei na seleção, achando que teria mais patrocínio, um incentivo melhor para ajudar nas viagens, nos quimonos, na faixa, no backnumber (identificação que o atleta põe nas costas), na alimentação e suplementação. A confederação não ajuda em tudo, a maior parte sai do nosso bolso. Mas, não consegui o apoio esperado”, denuncia a atleta.

Ela apontou que em uma viagem para competi, são gastos cerca de R$ 5 mil, com estadia, alimentação e passagem. “Tem quimonos que custam até R$ 1.500, a faixa R$ 600. O alimento é caro, comer saudável em Manaus é um absurdo de caro. Com dieta gasto uma média de R$ 1mil e R$ 1.200 de suplementação por mês. E, gasto mais de R$ 500 com o transporte para os treinos”, revela.

Além da dificuldade de conseguir novos patrocínios, a atleta lamenta a suspensão do bolsa atleta municipal – verba destinada a atletas que representam o Estado na seleção brasileira.

“Por conta da crise, tudo está muito difícil. Para de receber o bolsa atleta, que é um valor considerável da prefeitura, justamente quando entrei na seleção”, lamenta.

Rafaela explicou que no judô, o ranking não define a participação ou não nas olimpíadas. Tudo depende da desenvoltura da atleta nas competições que precedem a competição. “Aqui no Brasil é tudo por competição, depende do desempenho, por isso é tão importante viajar. A competição é realmente muito difícil, tenho que tirar a vaga da principal, a Érika Miranda”, explica.

Para manter o rendimento, Rafaela cumpre uma rotina pesada, com treinos de segunda a sábado. Pela manhã, ela cursa a faculdade de direito. De tarde, das 13h30 às 15h, ela treina na academia One Fitness, no bairro Dom Pedro. Das 16h as 18h, ela treina com o preparador físico e técnico, Júlio Prado e, das 19h30 às 21h na Associação Barbosa, com o treinador Carlos André.  “Tem dia que estou ‘quebrada’, tem dias que estou mais disposta. Mas, tem que fazer tudo em busca sonho das Olimpíadas”, revela.

A judoca começou na luta com o jiu-jítsu aos 6 anos de idade. Aos 13, descobriu o judô e não deixou mais. “Tudo começou com o meu pai. Ele ia praticar o esporte e foi me levando.
Quando fui assistir a luta de um amigo, me interessei pelo judô, passei a praticar, competir e medalhar. Com pouco tempo de judô medalhei e fiquei até hoje”, diz.

Por Ive Rylo

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