Economia

Na crise, fiado resiste à falta de crédito na praça

 O comerciante Paulo da Silva há mais de 15 anos trabalha com o fiado – Arthur Castro

Mesmo em tempos de instabilidade econômica, as vendas de fiado no comércio local resistem ao longo tempo e o mecanismo de vender a prazo e anotar as compras em um caderno de fiados continua em alta. Entretanto, comerciantes amargaram prejuízos entre o fim de 2015 e durante todo o ano de 2016, momento que boa parte dos brasileiros sentia de forma mais aguda o aumento no desemprego por conta da economia bastante enfraquecida.

Em um estabelecimento da família, o gerente Caio Rodrigues, 21, afirma que o mercadinho Valdir, localizado no bairro Santa Luzia, Zona Sul, atua com fiados anotados em um caderninho há mais de 60 anos.

Segundo ele, entre os anos de 2015 e 2016, o empreendimento amargou prejuízo e que os valores fiados dariam para comprar um carro zero quilômetro. “Muitas pessoas ficaram sem trabalhar e foram deixando o fiado de lado. Dessas pessoas que ficaram devedoras nesse período de crise, apenas 5% quitaram a dívida”, conta.

Anotar as compras dos fregueses nos caderninhos é uma opção para não perder venda

Caio Rodrigues explica que, mesmo com os prejuízos, o mercadinho continuou atendendo a clientela do bairro com as vendas de fiado anotadas no caderno. Segundo ele, o estabelecimento atende pouco mais de cem consumidores que utilizam o benefício de compras fiadas.

O comerciante Paulo da Silva, 75, que possui um mercadinho localizado no bairro Presidente Vargas, Zona Sul, comenta que há mais de 15 anos trabalha com o fiado.

Para o microempresário, existem os clientes fiéis, que pagam sempre em dia e os infiéis que esquecem a dívida.

Paulo da Silva salienta que as vendas sempre continuaram com fiados anotados em cadernos e que a crise econômica prejudicou as vendas. Ainda de acordo com o microempresário, durante o ano passado, muitas pessoas que pagavam as contas corretamente começaram a atrasar os pagamentos. Para evitar grandes perdas, o comerciante passou a trabalhar com a venda de fiados apenas para um número de 20 pessoas.

O prejuízo no empreendimento de Paulo foi de 40% em 2016 e muitos clientes começaram a pagar de forma fracionada, dando uma parte no mês e deixando o restante para pagar no mês seguinte. O proprietário ressalta que não é de ficar no pé do cliente cobrando e mantém o pensamento positivo com relação aos pagamentos.

Fatores que prejudicam

Paulo da Silva explica que as vendas tiveram uma queda pelo fato de as pessoas mudarem de endereço. Outros fatores são o surgimento de grandes comércios e as facilidades nas condições de pagamento também acarretaram uma baixa nas vendas. “Às vezes chegam mães com crianças, aí eu vendo um arroz, um feijão. Como é para comer, não posso negar”, frisa.

O aposentado José Lobato, 90, disse que compra fiado no mercadinho de Paulo da Silva desde quando o local iniciou suas atividades. Ele explicou que paga sempre no final de cada mês, quando sai o dinheiro de sua aposentadoria.

Henderson Martins

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