Dia a dia

Na briga entre rodoviários e empresários, população sai perdendo

Cerca de 1,3 mil ônibus que operam 220 linhas, ficaram nas garagens. Aproximadamente 500 mil pessoas foram prejudicadas – Daniel Landazuri

Boa parte da população que depende do transporte coletivo foi pega de surpresa pela greve dos rodoviários na manhã desta terça-feira (17).

Cerca de 1,3 mil ônibus que operam 220 linhas, ficaram nas garagens. Aproximadamente 500 mil pessoas foram prejudicadas.

A auxiliar de limpeza Maria Almeida, 54 anos, que mora no bairro São Jose e trabalha no Dom Pedro, ficou com medo de ser prejudicada no emprego.

“Saio para trabalhar às 4h30, entro às 6h no serviço. Já passou do meu horário e não tem como eu chegar lá, as lotações não passam naquela área,” relatou.

Nas primeiras horas do dia os transportes executivos e alternativos circulavam apenas nas áreas onde são permitidos, mas às 7h a prefeitura liberou o trânsito deles até o Centro.

A cozinheira Ângela de Almeida, 61, pagou R$ 4,20 na passagem de um executivo, mas mesmo assim não conseguiu chegar ao trabalho.

“Eu trabalho em um condomínio no Tarumã. Peguei o executivo da Cidade Nova para o Centro esperando encontrar algum ônibus aqui, eu não sabia que todos tinham parado”, contou.

Outra reclamação de passageiros era a respeito dos “amarelinhos” que saem da Zona Leste. De acordo com a população, os cobradores não recebiam o pagamento por meio do cartão passa fácil.

Apesar do transtorno, os alternativos foram a solução para muita gente. A vendedora Maria José Moreira, 41 anos, conseguiu chegar em seu local de trabalho a tempo.

“Peguei R$ 3,00 pra vir lá da Cidade de Deus. Sou uma das vendedoras que abre a loja e essa condução foi uma ótima saída”, disse aliviada.

Donos de veículos do tipo Van, Kombi e ônibus não convencionais se aproveitaram da situação e fizeram rotas clandestinas em várias áreas da cidade. A taxa cobrada era entre R$ 4,00 e 5,00.

Nem todos encontraram uma saída. A babá Creuza Pereira, 48, ficou sem alternativas. E o caso dela deixa claro como até quem não precisa de ônibus pode ser prejudicado pela greve.

“Minha patroa depende de mim para sair para o trabalho, mas nem os executivos e nem os ‘amarelinhos’ passam pela Ponta Negra. Já liguei para justificar meu atraso,” lamentou.

Daniel Landazuri
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