Esportes

Na Baía de Guanabara, velejadores brasileiros treinam ao lado de adversários

- Aos 43 anos, o velejador Robert Scheidt é o atleta brasileiro com mais medalhas olímpicas - foto: divulgação

 Aos 43 anos, o velejador Robert Scheidt é o atleta brasileiro com mais medalhas olímpicas – foto: divulgação

A Baía de Guanabara será o palco da vela na Olimpíada do Rio de Janeiro, mas suas águas já são navegadas por bandeiras de atletas estrangeiros desde os últimos jogos. Enquanto em muitos esportes os treinos e estratégias são repetidos em ginásios fechados, na vela, os brasileiros treinaram com boa parte dos seus adversários nas raias que começarão a receber as provas em 8 de agosto.

O coordenador técnico da seleção brasileira de vela, Torben Grael, disse que é comum que no esporte os treinos sejam feitos em conjunto e, quanto mais estrangeiros de alto nível presentes no cotidiano, melhor é a preparação. “Têm alguns específicos de velocidade em que você faz um acordo com alguém ou, às vezes, com mais de um que são seus parceiros de treinamento. E têm as competições de treino que quanto mais [atletas] têm, melhor”.

Famosa entre os velejadores por ser imprevisível e “não ter um dia igual ao outro”, a Baía de Guanabara recebeu com muita frequência atletas da Grã-Bretanha, da Nova Zelândia e da Holanda. Para Grael, a vantagem de “jogar em casa” acabou ficando menor. “No caso da Baía de Guanabara, não sei se é uma vantagem tão grande, porque os principais estão aqui treinando e fazendo adaptação. Acho que descobriram bastante coisa”.

O velejador Ricardo Wikini, o Bimba, concorda que os principais adversários já passaram a conhecer a baía. Os principais que vieram brigar por medalha com certeza. O velejador conta que seus principais parceiros de treino são os espanhóis, os mexicanos e o português João Rodrigues, que considera seu melhor amigo. “É importante testar a velocidade do adversário e ver como está andando. Sozinho, é impossível treinar”.

Mesmo com essa parceria, treinar sozinho é uma necessidade que acaba sendo negociada entre os atletas, já que a baía é uma só. Ele lembrou um treino recente em que viveu essa situação: “Na última hora, o inglês me mandou uma mensagem falando que quer treinar sozinho, e eu respeitei 100%. Não é nada pessoal. O cara é meu adversário e quer testar alguma coisa que não quer que eu veja, e eu entendi perfeitamente. No dia seguinte, treinamos juntos de novo”.

Medalhista olímpica na vela, Isabel Swan, da classe Nacra 17, compara os treinos a jogos amistosos. “É bom pra conhecer o seu adversário, porque é um treino de nível alto”, conta ela, que fez amizade com os estrangeiros, mas com uma ceta distância. “Se não, a competição continua em terra. A gente tem amizade e tudo, mas com um certo limite, porque todos têm o mesmo objetivo”.

Martine Grael, da categoria 49erFX, pensa em como vai ser quando os estrangeiros forem embora. “Para gente, virou até rotina. Vai ser difícil é quando eles saírem”.

Por Agência Brasil

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