Dia a dia

Museu da Amazônia e Parque Sumaúma são alternativas para aprender sobre preservação

A preservação e a conservação ambiental podem ser adquiridas a partir de pequenas mudanças de comportamento - fotos: Marcio Melo

A preservação e a conservação ambiental podem ser adquiridas a partir de pequenas mudanças de comportamento – fotos: Marcio Melo

É inegável que a consciência ambiental tem se tornado crescente nas últimas décadas, sobretudo, em virtude do ensino ambiental proporcionado pelas escolas. No entanto, é indiscutível também que muito ainda precisa ser feito para que o meio ambiente receba a atenção, o cuidado e, sobretudo, que seja preservado como merece para que os recursos naturais não se esvaziem por completo. Foi para chamar a atenção para a degradação dos ecossistemas e a necessidade de preservação, especialmente a partir da década de 70, que instituiu-se o Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado no dia 5 de junho.

A data convoca à mobilização em prol da conservação ambiental e de espécies, além de chamar o indivíduo à reflexão sobre suas responsabilidades ambientais, e estimular a participação social na mudança do comportamento predatório humano. Embora possam parecer complexas, a preservação e a conservação ambiental podem ser adquiridas a partir de pequenas mudanças de comportamento. E é para estimular a mudança de práticas individuais que órgãos e entidades ambientais investem tempo e pesquisa para se tornarem referências de preservação.

Localizado no Cidade de Deus, Zona Norte, o Museu da Amazônia (Musa) é um desses exemplos. Com uma área de 100 hectares, o Musa está localizado dentro da Reserva Florestal Adolpho Ducke e possui programação que inclui trilhas guiadas, exposições, serpentário, viveiro de orquídeas e bromélias, lago de vitórias-régias, borboletário e uma torre de observação de 42 metros de altura e 242 degraus. A beleza e o encanto proporcionados a quem visita o lugar o credenciam como um dos espaços ambientais mais importantes de Manaus.

De acordo com a subcoordenadora de atendimento ao público do Musa, Tatiane Ribeiro, o turista nacional e o estrangeiro são visitantes comuns ao museu, que possui 64 mil metros quadrados de trilhas e 12 monitores capacitados a “fazer o visitante sentir a grandiosidade das espécies e, acima de tudo, desenvolver um novo olhar sobre o meio ambiente e todos os aspectos que o envolvem”.

Visitantes se tornam multiplicadores

Além do turista nacional e estrangeiro, Tatiane ressalta que muitos turistas locais veem o Musa como o “quintal de casa”. Segundo ela, alguns pais levam seus filhos quase todos os fins de semana à reserva para que conheçam mais e mais sobre os recursos naturais da Amazônia. “Temos muitos visitantes de bairros próximos daqui. Os pais dizem que preferem que os filhos conheçam sobre o meio ambiente a ficarem em casa brincando com videogame ou no celular. As crianças também gostam e se transformam em multiplicadores, em educadores ambientais”, ressalta.

Parque-Marcio-Melo

Mas não são só as crianças e os moradores locais que se transformam em multiplicadores; quem vem de fora também se mune de informações e percepções para ajudar a difundir as belezas de fauna e flora locais, e principalmente difundir o conceito de preservação. Tradutora de inglês, a gaúcha Clarissa Babbi, 35, tirou a semana de aniversário para conhecer um pouco mais da Amazônia. Ela, que comemora o aniversário no mesmo dia dedicado ao Dia Mundial do Meio Ambiente, diz que viajar permite que se conheça um pouco mais sobre as diferenças do Brasil e, acima de tudo, se aprenda a respeitar as particularidades regionais.

“É preciso se dar essas oportunidades, ver como o Brasil tem muitos potenciais regionais e refletir sobre a assustadora velocidade com que o meio ambiente vem sendo degradado. É fantástico ver que aqui, no meio da cidade, há um local como o Musa, repleto de espécies e com tanto conhecimento à disposição. Com certeza vou ajudar a difundir o que vi e senti aqui”, afirma.

Outro que também é puro encanto, curiosidade e vontade de fazer com que outros conheçam para preservar os recursos naturais existentes na Amazônia é o inglês, graduado em belas artes, Ian Paul Lee, 54. Ele, que esteve no Brasil pela primeira vez na década de 80 e desde lá adotou o país como casa, diz sentir que o progresso mundial tende a respeitar a sustentabilidade aliada ao desenvolvimento e que esse comportamento não deve ficar apenas no discurso.

“Sempre senti que a Amazônia é minha casa e hoje vejo um quadro mais positivo em relação a proteção do meio ambiente regional. Sinto as pessoas mais preocupadas em conservar os recursos mundialmente”, avalia.

Estratégias para cativar o público

Outro exemplo de educação e preservação ambiental em meio à área urbana é o Parque Estadual Sumaúma. Localizado na Cidade Nova 1, Zona Norte, o parque ocupa 52,62 hectares e possui três trilhas, sendo uma delas concretada para facilitar a visitação de crianças, idosos e pessoas com dificuldades de locomoção. Além das trilhas, outras atrações do parque são o parque infantil, o tour com artes cenográficas, o viveiro de mudas e os animais, sobretudo, os sauins de coleira que se exibem aos visitantes.

Segundo a gestora do Parque Sumaúma, Amanda Gomes, o local é um laboratório de pesquisa que, além disso, é utilizado também como espaço de lazer e turismo ecológico. Os moradores do entorno do parque, destaca, foram os principais e primeiros motivadores da existência do espaço, o que os transformou em vigilantes e visitantes comuns ao parque.

“Nossos visitantes são multiplicadores das informações que repassamos sobre meio ambiente. Temos a preocupação de preparar material especial para cada grupo de visitante, assim conseguimos sensibilizar quanto à necessidade de proteção e os ganhamos como multiplicadores. Apesar de estarmos em área urbana, nós mantemos os animais soltos e temos plantações de espécies dentro do parque”, informa.

Entre os animais presentes no lugar estão cobras, jacarés, cutias, jabutis, aves e os sauins, símbolos do parque, informa Aline.

Visitação estimula preservação
Foi para colocar desde cedo as crianças em contato com o meio ambiente e despertar nelas a consciência ambiental que a diretora do Centro Educacional Querubim levou alguns alunos para conhecer o parque Sumaúma. Conforme a diretora, Tereza Bruce, os alunos normalmente já têm na escola algumas noções de educação ambiental, mas é indispensável que a consciência dos pequenos receba novos estímulos, daí a importância de visitar parques urbanos.

“Estamos na semana do meio ambiente e, como parte da programação, trouxemos as crianças ao parque. Elas naturalmente são multiplicadoras de boas práticas e por isso também precisamos investir nesse conhecimento consciente, assim evitamos que no futuro a degradação e destruição dos recursos naturais coloquem ainda mais em risco os ecossistemas”, avalia.

Por Michele Gouvêa

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