Eleições 2016

Mulheres representam menos de 10% do total de vereadores na Câmara de Manaus

Com uma campanha tímida, a nova vereadora trabalhou sem receber qualquer investimento financeiro - foto Reprodução Facebook

Com uma campanha tímida, a nova vereadora trabalhou sem receber qualquer investimento financeiro – foto Reprodução Facebook

Apesar de a maioria do eleitorado na capital amazonense ser feminino, as mulheres vão ocupar menos de 10% das 41 vagas de vereadores na Câmara Municipal de Manaus (CMM). O resultado veio após a apuração total das urnas, na noite deste domingo (2), quando o Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) indicou a eleição de apenas quatro mulheres ao cargo.

A vereadora mais votada do pleito foi a professora Jacqueline Pinheiro (PHS), reeleita com 8.222 votos, enquanto a quarta posição coube à estreante Joanna D’arc (PR), que recebeu 3.261 mil votos. Também integram o time feminino no parlamento municipal a professora Therezinha Ruiz (DEM), com 7.571 mil votos, e Glória Carrate (PRP), com 5.059 mil votos, que nesta legislatura herdaram as vagas após a saída de seus titulares.

Para o advogado e cientista político há mais de 20 anos, Dr. Carlos Santiago, a queda das mulheres nas intenções de votos para cargos políticos está ligada ao partido. “As coligações continuam sendo pré-arcaicas, ou seja, apenas com o domínio dos homens. Falta de transparência e a democracia sem representatividade, influencia em uma enorme crise que não consegue refletir os anseios da população brasileira, o que dificulta ainda mais a participação da mulher na política”, explicou.

Ainda de acordo com o especialista, dentro da cúpula de decisões tomadas por um partido, nem a mulher, o negro e o índio, tem grande peso para ter prioridade em questões partidárias. “A estrutura política concedida às mulheres que se candidatam não são as melhores comparadas ao apoio que é dado aos homens. Os partidos não priorizam o que é mais importante na sociedade, como a diversidade, pluralidade e a representação, uma vez que isso aconteça as mulheres com certeza almejarão melhor destaque”, analisou.

Santiago relembrou a campanha presidencial de 2014, quando houve uma grande votação na corrida presidencial. Na ocasião, as candidatas Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (Rede Sustentabilidade), juntas, somaram mais de 60% das intenções de votos. Naquele ano, Dilma foi reeleita presidenta do Brasil. “Elas alcançaram sucesso nas intenções de voto porque tiveram prioridade dentro dos partidos. Uma grande estrutura foi utilizada nas campanhas para garantir a obtenção do sucesso”, informou Carlos Santiago.

Prestes a iniciar o primeiro mandato, Joana D’arc comemorou o resultado nas urnas, mas criticou a pouca representatividade feminina na Câmara em 2017.

“Eu vim na campanha com o objetivo de não reeleger os mesmos vereadores, principalmente, por conta do atual momento político que estamos tendo. Confesso que fiquei bastante decepcionada com a escolha de apenas quatro mulheres entre os 41 vereadores. Isso demonstra que a mulher não tem tanta força, mesmo sendo a maioria na nossa sociedade. Acho um número pequeno para uma população onde 60% é de mulheres. Me entristece, eu luto pela representação feminina no parlamento e todas as outras esferas”, falou.

Defensora incondicional dos animais, Joana D’arc disse que veio com o propósito de ajudar nestas causas, entretanto, sabe que não foi escolhida apenas para um segmento. Ela explicou que o lema de trabalho será ‘Uma Manaus para todos’, incluindo o fortalecimento da valorização da mulher com políticas voltadas para este público. Com assistência e projetos para as que ficam em casa, mas que têm uma visão empreendedora.

Com uma campanha tímida, a nova vereadora – que barganhou a última vaga no parlamento – trabalhou sem receber qualquer investimento financeiro. Ela utilizou apenas os materiais de campanha disponibilizados pelo partido e contou com o apoio de quatro voluntários.

“Eu não tive carro de som, bandeira, nada. Eu sabia que teria uma boa votação, já que são sete anos trabalhando na causa animal e mais quatro com trabalhos sociais. Eu era avessa à política, mas eu vi que em algum momento eu precisava aliar o lado político para melhorar os resultados da causa”, disse a nova parlamentar que é representante da ONG de Proteção, Adoção e Tratamento Animal (Pata).

Representantes por gêneros mais votados

Em Manaus, o vereador mais votado, pastor João Luiz (PRB), foi eleito com 13.978 mil votos, 41% a mais que a vereadora mais votada, professora Jacqueline Pinheiro (PHS) com 8.222 votos.

Nascido na capital do Estado do Rio de Janeiro (RJ), o futuro parlamentar assume o cargo em janeiro de 2017. Com nível de escolaridade abaixo da média em comparação com os demais candidatos eleitos, João possui a 6ª série do Ensino Fundamental.

Já professora Jacqueline, nasceu na cidade de Russas, no interior do Estado do Ceará (CE), acumula importantes títulos no currículo acadêmico. É graduada em pedagogia pela Universidade Federal do Ceará (UFC), possui pós-graduação em metodologia do ensino de 1º grau pela UFC e gestão pública pela Universidade Federal do Estado do Amazonas (Ufam).

Além dos cursos, a parlamentar é formada, também, em direito pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA) e possui pós-graduação em Direito Penal e Processo Penal pela Ufam.

Por Isac Sharlon
Colaborou Bruna Souza

Comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Subir