Dia a dia

Morte de empresária na Venezuela é alerta para perigos de plásticas a baixo custo no país vizinho

Para o cirurgião plástico e membro da SBPC André Luiz Carone, uma campanha alertando para o perigo das cirurgias fora do país, e contra os agenciadores de tais procedimentos, seria uma forma de inibir novos casos – foto: Marcio Melo

Para o cirurgião plástico e membro da SBPC André Luiz Carone, uma campanha alertando para o perigo das cirurgias fora do país, e contra os agenciadores de tais procedimentos, seria uma forma de inibir novos casos – foto: Marcio Melo

A morte da empresária Dioneide Leite, 36, na última terça-feira (13), na cidade de Puerto Ordaz, na Venezuela, em virtude de complicações em uma cirurgia plástica, revelou novamente uma triste realidade vivida por mulheres que, em nome da vaidade – e do baixo custo das intervenções cirúrgicas –, viajam ao país caribenho em busca de melhorias estéticas, em clínicas particulares, mas em alguns casos acabam ficando mutiladas ou mesmo perdendo a vida.

A estimativa da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBPC) é de que, nos últimos 2 anos, um pouco mais de 13 casos de óbitos – alguns deles com amazonenses – em decorrência de cirurgias plásticas  mal-sucedidas foram registrados no país vizinho.

Por conta dessa realidade, em abril deste ano, a SBPC procurou o Ministério Público Federal no Amazonas (MPF-AM) para pedir a abertura de um grupo de trabalho para investigar casos de amazonenses que morreram após fazer plásticas na Venezuela. Porém, no dia 9 de maio, o inquérito foi indeferido pelo MPF. Conforme as explicações do órgão, as possíveis irregularidades com as cirurgias plásticas nas amazonenses ocorreram em território venezuelano, fora da jurisdição brasileira, o que impede que as autoridades brasileiras possam exercer suas competências.

“É importante salientar que em todos os lugares do Brasil e em outros países existem profissionais que estão preparados e outros que não estão preparados. Em todo lugar sempre vai ter gente boa e gente ruim. O que acontece na Venezuela, em minha opinião, é que, às vezes, a pessoa está no país que não tem recursos e procura o médico errado estando completamente longe do país dela, procurando um preço melhor. Então, essa pessoa que procura esse tipo de atendimento tem que se informar muito bem sobre o médico que vai operá-la”, observa o cirurgião plástico André Luiz Carone,membro da SBPC.

Ele chama a atenção para o fato de que o baixo preço das cirurgias plásticas é o principal atrativo que leva as brasileiras a procurar os cirurgiões da Venezuela. Entretanto, ele alerta que a escolha pelo preço mais barato pode acabar levando as pacientes a clínicas que não possuem condições higiênicas ou mesmo certificado para realizar tais procedimentos.

“Na minha opinião, o país está quebrado e não oferece condições para que o médico que é formado trabalhar direito. Então, o especialista não tem o material adequado para trabalhar no país, somando a esse fato uma série de outros problemas que ele não pode conter. Outra coisa importante a observar é que a vigilância sanitária de lá é muito inferior à daqui”, pontua.

Campanha

Segundo Carone, há inúmeros casos de clínicas estéticas e salões de beleza, no Amazonas e em Roraima, que estão atuando como “agenciadores” de brasileiras interessadas em realizar intervenções estéticas na Venezuela. Além desses estabelecimentos, há também grupos em redes sociais que atuam no agenciamento das futuras “pacientes”.

Para o cirurgião plástico, trabalhar em cima de uma campanha contra esses agenciadores seria o primeiro passo para evitar que as pessoas busquem o procedimento estético fora do país e acabem pagando com a própria vida ou ficando com sequelas.

“É importante lembrar que existe uma propaganda muito grande por parte de pessoas que agenciam as mulheres a irem para a Venezuela. Uma pessoa que é leiga no assunto vai dar ouvidos ao agenciador que quer levá-la para o país vizinho. Esse agenciador está ganhando dinheiro e, claro, vai mostrar à vítima fotos de mulheres que ficaram lindas, maravilhosas, e ainda por cima pagaram um preço mais em conta. A pessoa está sendo enganada”, destaca.

Por Michelle Freitas e Tadeu de Souza

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