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Morre Rob Ford, polêmico ex-prefeito de Toronto, no Canadá

Após admitir seu problema com drogas e ir para a reabilitação, Rob Ford virou uma estrela em sua cidade - foto: divulgação

Após admitir seu problema com drogas e ir para a reabilitação, Rob Ford virou uma estrela em sua cidade – foto: divulgação

Rob Ford, ex-prefeito de Toronto, maior cidade do Canadá, morreu nesta terça-feira (22) aos 46 anos. Ford governou a cidade entre 2010 e 2014, ano em que foi diagnosticado com um tipo raro de câncer -lipossarcoma, que atinge o tecido adiposo.

Após o diagnóstico, ele desistiu de tentar a reeleição, e o irmão Doug Ford concorreu em seu lugar, mas perdeu para o conservador John Tory.

Durante o mandato, Ford colecionou polêmicas. A principal delas repercutiu mundo afora: em novembro de 2013, ele admitiu ter fumado crack em um “estupor bêbado”.

“Sim, já fumei crack”, disse a um grupo de jornalistas. “Mas sou viciado? Não. Tentei? Provavelmente, em um estupor bêbado, provavelmente um ano atrás.”

Na época, o “Toronto Star”, maior jornal canadense, afirmou que um repórter de sua equipe havia visto um vídeo no qual Ford aparecia com um cachimbo de crack em mãos, fazendo comentários homofóbicos e racistas. As imagens estavam em posse de um investigado num caso local de tráfico.

“Sou o primeiro a admitir que não sou perfeito. Cometi erros”, Ford disse em 2013, num de seus programas semanais na rádio. “Eu me desculpo sinceramente com a minha família e os cidadãos, os pagadores de imposto desta grande cidade”, disse.

Um ouvinte telefonou e questionou pelo que exatamente ele pedia desculpas. Entre os “muitos tropeços estúpidos” dos quais se disse arrependido, incluiu o episódio em que retornou à Prefeitura de Toronto (quarta maior cidade da América do Norte) com “meia garrafa vazia de Brandy”, nas celebrações do dia de São Patrício -tradicional festa irlandesa, popular no Norte e comemorada em 17 de março.

“Bêbado e beligerante”

A lista de tropeços não para aí.

Ford já foi expulso de um jogo de hóquei por estar “bêbado e beligerante”, segundo o “Toronto Star”.

Na juventude, sonhou em ser um jogador profissional de futebol americano (acabou se formando em ciência política), e chegou a treinar um time local de ensino médio -entre as trapalhadas no cargo, apareceu bêbado para um treino e ameaçou bater em um professor, de acordo com documentos internos da Escola Secundária Católica Don Bosco. Voluntário na função, foi demitido em 2013.

Sua carreira política inclui três passagens como conselheiro municipal, de 2000 a 2010, e foi permeada por declarações controversas.

Concorria à prefeitura quando, num debate, atacou a imigração. Ele disse que, em um “mundo perfeito”, Toronto manteria a população estável “antes de começar a trazer mais gente”.

O casamento gay também entrou na reta: naquele mesmo 2010, referendou a visão do pastor fundamentalista Wendell Brereton e afirmou apoiar o matrimônio “tradicional”, embora tenha ressaltado não se preocupar “com o que as pessoas fazem na sua vida privada”.

Em 2008, sua mulher, Renata, o acusou de agredi-la e ameaçá-la de morte. As acusações foram retiradas.

Estrela

Após admitir seu problema com drogas e ir para a reabilitação, Rob Ford virou uma estrela em sua cidade.

Antes de desistir de disputar a reeleição, tirava selfies com frequência. Também esteve no talk show “Jimmy Kimmel Live”. O apresentador apresentou ao público o entrevistado do programa assim: “Nosso primeiro convidado da noite tropeçou, esbarrou, dançou e fumou seu caminho rumo à nossa consciência nacional”.

Sua vida rendeu até um musical, “Rob Ford The Musical: Birth of a Ford Nation”. No espetáculo de 2014, a elite de Toronto se reúne para abater o prefeito tresloucado. “Obviamente, não é apropriado para crianças”, diz um comunicado no site da peça.

Ford deixa a mulher, Renata, e dois filhos pequenos. A família divulgou uma nota na qual o ex-prefeito é descrito como “um homem dedicado” que passou sua vida “servindo aos cidadãos de Toronto”.

Seu sobrinho Michael Ford escreveu no Twitter: “Tio Rob, você lutou a boa luta por tempo suficiente e agora pode descansar em paz”.

Por Folhapress

 

 

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