Cultura

Morre aos 84 anos o japonês Isao Tomita, pioneiro da música eletrônica

Ele estava internado há uma semana, com problemas cardíacos - foto: divulgação

Ele estava internado há uma semana, com problemas cardíacos – foto: divulgação

Morreu na última quinta-feira (5) em Tóquio, aos 84 anos, o músico Isao Tomita, pioneiro do som eletrônico. Ao lado de Keith Emerson (1944-2016), do trio inglês de rock progressivo Emerson, Lake & Palmer, ele reconheceu o potencial dos sintetizadores Moog ainda nos anos 1960. Ele estava internado há uma semana, com problemas cardíacos.

Nascido em Tóquio, Tomita passou a infância na China. Ao retornar ao Japão, começou a compor na adolescência. Aos 22 anos, trabalhava intensamente produzindo música para cinema, teatro e programas de TV. Ele misturava composições próprias com releituras de músicos clássicos. Seus favoritos eram os franceses (e contemporâneos) Claude Debussy (1862-1918) e Maurice Ravel (1875-1937).

Seu processo de criação mudou no final dos anos 1960, quando comprou um sintetizador Moog 3. Tomita (usava apenas o sobrenome para lançar a maioria de seus álbuns) escrevia partituras complicadas, em que utilizava anotações de instrumentos acústicos junto a fórmulas de programação.

Tomita lançou seu primeiro álbum totalmente eletrônico em 1972, “Electric Samurai: Switched on Rock”, em que usava sons sintetizados para simular os vocais. Suas canções estranhas chegaram a tocar nas rádios.

A boa acolhida desse disco foi sucedida de um estrondoso sucesso em 1974. “Snowflakes Are Dancing” foi criado a partir de peças de Debussy. É evidente a influência desse álbum nos trabalhos de outros músicos do eletrônico, notadamente o francês Jean-Michel Jarre.

Os shows grandiosos, esquisitos e em locais inusitados que marcam as carreiras de Jarre e do grego Yanni também têm sua origem em Tomita.

O músico japonês fez grandes concertos em espaços abertos e inventou moda em vários deles. Certa vez, colocou torres de alto-falantes espalhadas em uma plateia de mais de 30 mil pessoas, para criar um ambiente de imersão sonora. Em outra turnê, tocou dentro de uma pirâmide transparente que pairava sobre um público de 80 mil pessoas.

Os discos físicos de Tomita, tanto em CD ou vinil, são muito difíceis de serem encontrados. A melhor opção para conhecer o trabalho revolucionário do músico japonês é recorrer a lojas digitais.

Seus principais trabalhos, além dos já citados, são “The Bermuda Triangle” (1978), “Bolero” (1980) e “The Planets 2003” (2003). Seu último álbum foi lançado no ano passado, “Space Fantasy”.

Por Folhapress

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