Dia a dia

Moradores denunciam ocupações irregulares em uma das principais avenidas da Zona Norte de Manaus

Noel-Nuteles-Ione-Moreno

Lixo da noite anterior amanhece diariamente no passeio público, o que incomoda os moradores da área – foto: Ione Moreno

Trabalho infantil, falta de mobilidade para os pedestres, lixo e até mesmo exploração sexual são cenas corriqueiras em um trecho da avenida Noel Nutels, na Cidade Nova, Zona Norte, mas que apesar de terem sido denunciadas às autoridades competentes, seguem se repetindo sem que nada seja feito. Conforme os relatos de moradores da área, a partir das 17h é quase impossível circular pelas calçadas e não tropeçar em barracas de vendas de frutas, churrasco, bebidas, entre outros, que além de tirar toda a circulação dos pedestres, exploram crianças e adolescentes, para economizar nos gastos com funcionários.

Outro problema que virou rotineiro no local são os diversos assaltos feitos durante o período de maior movimento na via. De acordo com os populares, criminosos, disfarçados de trabalhadores, aproveitam a “muvuca” formada durante a noite e a falta de policiamento para realizar furtos, sem que sejam abordados ou até mesmo capturados.

“Esse problema já existia há algum tempo. Mas de uns três meses para cá, a situação vem piorando e se tornando cada vez mais insustentável. Hoje, a calçada não é mais dos pedestres e sim dessas barracas. Os moradores desse trecho têm que dividir a rua com os carros. Além disso, o fato de crianças estarem trabalhando à noite, em um ambiente de bebidas, orgias e prostituição é outra situação que tem nos incomodado, até mais do que a falta de espaço no passeio público. Como pode comerciantes explorarem esses menores, que aceitam qualquer trocado para trabalhar? Na maioria das vezes, sei que é a necessidade de complementar a renda familiar, mas o trabalho infantil é algo inaceitável”, declara o morador Luiz Costa.
Segundo ele, mototaxistas clandestinos também utilizam a área de circulação de pedestres como ponto de mototáxi. Em alguns casos, quando questionados, os “piratas” partem para a agressão.

Conforme a moradora Michele Oliveira, no período da manhã, a população enfrenta outros problemas, consequências de uma noite de festa.

“Parece que estamos vivendo em uma terra sem lei, sem dono e sem Justiça. À noite, o tráfego tanto de pessoas quanto de carros é bastante complicado nessa região, mas pela manhã também temos que conviver com a sujeira deixada pelas barracas. É lixo nas calçadas, na rua, em toda parte. Eles não têm a decência de varrer, colocar o lixo no saco e deixar apenas em um único lugar para que seja recolhido pela prefeitura. Essa situação está complicada, e o pior é que ninguém faz nada”, avalia.

O morador Luiz Costa garante ter contatado, em outras ocasiões, o Conselho Tutelar para denunciar a prática do trabalho infantil e da exploração sexual na área da Noel Nutels, bem como o Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), para relatar a obstrução do passeio público. Porém, segundo ele, as denúncias foram simplesmente arquivadas.

“Como essa situação está me incomodando, eu procurei o poder público para que alguma medida fosse tomada, mas me surpreendi com o retorno dos órgãos e principalmente a falta de sensibilidade deles. Nas diversas vezes que os procurei, sempre fui tratado friamente. O Implurb, no caso, me disse que, infelizmente, não poderia fazer nada e que neste momento não cabe punição, pois a cidade vive ano eleitoral e essas ações estão suspensas. Já os Conselhos Tutelares nem respostas deram aos meus pedidos. A denúncia entrou por um ouvido e saiu por outro. Até o shopping center procurei, e eles falaram apenas que desde a implantação do centro de compras estão realizando ações para combater essas práticas, mas que sem a força do poder público qualquer medida fica fragilizada. Eu, sinceramente, não tenho mais a quem pedir”, desabafa.

Por Gerson Freitas

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