Dia a dia

Moradores de Manaus voltam a fazer ‘selfies’ com corpos de pessoas assassinadas

No Nova Vitória, curiosos levaram para casa a recordação de um corpo esquartejado -Daniel Landazuri

Fotografar mortos é considerado algo mórbido, porém, nos últimos dias em Manaus casos de “curiosos” fazendo fotos e selfies com pessoas espancadas ou mortas tornou-se algo comum. Semana passada, após dois homens serem linchados durante um arrastão no bairro Cidade Nova, algumas pessoas se auto-fotografaram mostrando um suspeito ferido. Já nesta quinta-feira (8), no bairro Distrito industrial 2, novamente pessoas faziam esse tipo de registro fotográfico.

De acordo com o filósofo e doutor em antropologia, Dênis Silva, fotografar ou filmar corpos esquartejados, como no casos da manhã de hoje no Nova Vitória, revela atração das pessoas pela tragédia, pela dor, como era feito na Roma antiga, quando reis e súditos se alegravam ao ver leões dilacerarem pessoas comuns e alguns bandidos.

Imagens de cadáveres viralizam rapidamente em aplicativos de celular

“Neste sentido, se o desejo de ser notado no grupo de WhatsApp ou conseguir visualizações e curtidas no Facebook exigir expor a dor alheia, muitas pessoas não enxergam problema nisso ”, relatou o antropólogo.

Sensacionalismo

A psicóloga e especialista em psicopatologia clínica e dependência química, Shyrllene Soares, relata que todo sensacionalismo tem plateia. Para ela, as pessoas perdem a noção do certo e errado, sem pensar nos danos ou prejuízos.

“Um ponto importante é observarmos que pessoas com transtornos de personalidade antissocial acabam sentindo prazer com a dor do outro. São pessoas com lacunas afetivas em busca de algum acontecimento para saírem de situações desfavoráveis, com isso, elas não conseguem focar em possibilidades construtivas, ⁠” explicou a psicóloga.

Segundo a advogada Natividade Maia, o vilipêndio de Cadáver é um crime de desrespeito aos mortos, que está previsto no o artigo 212 do Código Penal Brasileiro . A pena para esse delito é de prisão, que pode chegar  a três anos de reclusão.  Maia, que é também mestranda e professora de sociologia do crime, diz que a sociedade está vivendo uma era de anestesia ética, onde jovens e adultos não encontram os limites da exposição nas mídias sociais.

“A exposição de cadáveres nas redes sociais é ilícito civil. Tanto quem publica, quanto quem compartilha, pode ser responsabilizado mediante o pagamento de indenização por danos morais aos familiares  dos mortos” garantiu a professora.

Casos Manaus

A reportagem solicitou dados da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) sobre casos de vilipêndio de cadáver registrados em Manaus, nos últimos anos. O órgão respondeu que não ter os dados no momento, mas reconheceu a necessidade de fazer um levantamento.

Elias Pedroza
Em Tempo

 

1 Comment

1 Comment

  1. Ana

    9 de junho de 2017 at 04:40

    A barbarie está se tornando quase que uma ação comum,cotidiana. As pessoas não tem mais um sentimento de solidariedade, mas de sisnismo diante da desgraça alhei. Isso é até uma forma de satisfação psicopática, aonde o individuo sempte prazer ao ver uma semana que cho, que amchuca, como um corpo delacerado, uma pessoa sofrida pelo espancamento. Eu fico triste que esses barbaridades estejam acontecendo em Manaus. Uma cidade civilizda com um apopução pa´cifica e tradicional.

    As pessoas que fazem esses tipo de foto deveriam responde na Justiça.

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