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Moradores da Zonas Norte e Leste de Manaus padecem sem água

Abastecimento com carros-pipas foi uma cena comum nos bairros das Zonas Norte e Leste - foto: Diego Janatã

Abastecimento com carros-pipas foi uma cena comum nos bairros das Zonas Norte e Leste – foto: Diego Janatã

Sem água nas torneiras há mais de duas semanas, moradores de 25 bairros das zonas Norte e Leste estão adotando medidas improvisadas para se manterem sem o líquido. Problemas em uma das bombas de captação de água bruta da Estação de Tratamento de Água (ETA), Ponta das Lajes, na Zona Leste, vêm provocando transtorno, em meios aos esforços da concessionária Manaus Ambiental, cujas equipes técnicas realizam os devidos reparos, que ainda não têm previsão para serem concluídos.

Com o abastecimento de água na rede de distribuição inativo, populares estão pagando, além da taxa de consumo mensal, donos de poços para obter o líquido. Enquanto o abastecimento não é restabelecido, a empresa, desde que teve início o problema, adotou um sistema de racionamento nos 25 bairros, além de pôr nas ruas carros-pipas, para tentar amenizar o sofrimento dos moradores.

Sem recursos financeiros para pagar carregador, a dona de casa, Raimunda da Silva, 58, afirmou que convive diariamente com fortes dores nas costas, adquiridas em virtude do esforço feito para carregar os baldes com água para abastecer a sua casa neste período em que a comunidade da Sharp está sem o serviço da Manaus Ambiental.

“Mesmo quando a bomba estava em perfeito estado, já sofríamos com a falta de água pelo menos dois ou três dias na semana. Agora, com essa manutenção, é que não temos um pingo de água na torneira. Os meninos que carregam os baldes para os moradores até a casa cobram, em média, R$ 10. Eu não tenho todo dia esse valor para pagar aos carregadores, então o jeito é colocar o balde na cabeça e carregar até a minha casa. Essa tarefa é feita, pelo menos, três vezes ao dia e isso tem provocado uma dor insuportável nas minhas costas”, declarou a dona de casa.

No bairro Armando Mendes, além do transtorno, moradores têm amargado prejuízos financeiros. O eletricista Waldemar Pereira Almeida, 75, alegou que durante a semana vem pagando uma taxa de R$ 50 por dia para carregadores deixarem, em sua residência, alguns baldes com água. Esse serviço de transporte e abastecimento é realizado, pelo menos, quatro vezes por dia em sua casa.

“Não se vive sem água e sem comida. Como não tenho mais idade para carregar baldes, principalmente porque o único poço que distribui água para a população fica longe da minha casa, o jeito é pagar para que alguém faça esse serviço por mim. Mesmo economizando o máximo possível, utilizando a água somente para fazer comida e limpar o banheiro, ainda tenho que solicitar o abastecimento do camburão diversas vezes ao dia. Isso é cansativo, humilhante e desumano”, salientou.

Sem ter a quem recorrer, a comerciante Ester Costa afirma que vem vivendo dias difíceis sem água nas torneiras da sua casa, localizada no bairro Grande Vitória e em seu comércio, situado na comunidade da Sharp.

“Até quem tem poço onde eu moro não está mais fornecendo água para os vizinhos. No meu comércio também não tem água, o pouco que consigo é para fazer somente as tarefas básicas do dia a dia. Não sei mais o que faço. Toda a minha reserva de água está acabando e, depois, não terei como repor. Essa empresa precisa resolver urgentemente esse problema. Parece que estamos vivendo nos tempos da caverna”, desabafou.

Pagamento

A dona de casa e moradora do bairro Nova Vitória Maria de Nazaré Andrade afirmou que, há duas semanas, precisa contar com a bondade de outros moradores para realizar as tarefas domésticas que necessitam do uso de água. Devido a essa situação, ela destaca que não irá pagar a conta do consumo, uma vez que, neste mês, o serviço fornecido pela empresa foi ineficiente para a comunidade.

“Não é justo que paguemos por um serviço que não usufruimos. Estamos vivendo um verdadeiro caos sem água. Tem um senhor que possui um poço em seu comércio, que se compadeceu com a nossa situação e começou a distribuir água de graça para os outros moradores. Quando ele não está no posto de lavagem, nós temos que comprar por R$ 10 um camburão em outro local. Isso é um absurdo, somos tratados como bichos, esquecidos por essas empresas que só visam lucros. Minha vizinha, que quase não fica em casa, recebeu uma conta de água no valor de R$ 3 mil. Como pode isso, se raramente a água chega em nossas torneiras?”, indagou.

Protestos

Ao longo da semana, moradores de dois bairros distintos, mas com o problema em comum, a falta de água, realizaram protestos, queimando pneus e montando barricadas. Um exemplo são os moradores da avenida Magalhães Barata, no bairro Nova Vitória, Zona Leste, que protestaram contra a falta de água nas torneiras e pelo descaso da concessionária com os usuários.

Reforço

Para reforçar o abastecimento nos bairros afetados, o Exército Brasileiro, por meio de uma parceria com a Prefeitura de Manaus, disponibilizou, durante a semana, diversos carros-pipa. O trabalho está previsto para continuar até que o problema seja solucionado

 

Por Gerson Freitas

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