Dia a dia

Moradores da Arthur Bernardes, destruída por incêndio há 3 anos, protestam contra descaso do governo

A manifestação desta sexta-feira contou com o apoio de representantes do Movimento Nacional de Lutas pela Moradia - foto: divulgação

A manifestação desta sexta-feira contou com o apoio de representantes do Movimento Nacional de Lutas pela Moradia – foto: divulgação

Cinquenta famílias, vítimas do incêndio ocorrido em 27 de novembro de 2012, na comunidade Arthur Bernardes, Zona Centro-Sul de Manaus, fecharam parte da avenida São Jorge na manhã desta sexta-feira (27) para protestar contra o governo do Estado, que, após três anos do ocorrido, pouco fez para resolver a falta de moradia dos atingidos pelo sinistro. À época, o incêndio de grandes proporções destruiu dezenas de casas na localidade.

O presidente da associação dos moradores da comunidade, Leonardo Farias dos Santos, disse ao EM TEMPO Online que o último balanço realizado pela Superintendência de Habitação do Amazonas (Suhab) foi no dia 31 de julho deste ano. Na data, ficou acertado que 150 famílias iriam ser contemplados com as casas do programa ‘Minha casa minha vida’, 167 famílias receberiam a indenização combinada, e outras 167 famílias receberiam o cheque bônus no valor de R$ 50 mil. “Até hoje, porém, nada aconteceu,” reclamou.

Leonardo Farias disse ainda que, mesmo o benefício do aluguel social, no valor de R$ 400, pago pelo Estado com um atraso de até dois meses, já está defasado.
“Sempre que se tenta negociar, há troca de secretários, mudança na política, é alguém que é transferido de setor, enfim, tudo isso dificulta para a comunidade que está insatisfeita com tanto descaso”.

A manifestação desta sexta-feira contou com o apoio de representantes do Movimento Nacional de Lutas pela Moradia (MNLM). “Sabemos que o governo federal já passou o recurso ao Estado, porém, até agora, a comunidade não teve uma resposta concreta sobre a destinação desse dinheiro e muitas pessoas estão padecendo com alugueis ou em casa de parentes”, comentou a coordenadora do movimento, Andrea Paula.

Relembre o caso

O incêndio na comunidade Arthur Bernardes ocorreu na manhã de 27 de novembro de 2012, quando o fogo destruiu a moradia de pelo menos 543 famílias que habitavam o local, num total de 2 mil pessoas, aproximadamente, segundo dados da Defesa Civil Municipal.

A Secretaria de Ação Social (Seas) calculou que 300 casas teriam sido destruídas, algumas com mais de uma família residindo no local. Foram necessárias mais de 12 viaturas do Corpo de Bombeiros para conter as chamas, controladas somente por volta das 13h daquele dia.

No mesmo ano, os moradores das palafitas (casas construídas em cima de assoalhos de madeira) do local já tinham sofrido com a alagação do igarapé, que no mês do sinistro, havia se reduzido a um pequeno córrego.

Os moradores receberam ajuda das secretarias municipal e estadual de Ação Social, que na ocasião mobilizaram caminhões e pessoal para ajudar no recolhimento dos móveis resgatados. Muitas famílias espalharam no meio da rua camas, colchões, geladeiras, fogões, roupas e alguns outros utensílios.

Os próprios moradores contaram que o fogo teria iniciado a partir de um curto-circuito. Praticamente todas as casas do local usavam ligações clandestinas.
Em nota, a Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE), que coordena o Prosamim, informou que as obras da área da Comunidade Arthur Bernardes, no São Jorge (Cachoeira Grande), após análise pela  Caixa Econômica Federal (CEF), tiveram que ser revistas para se adequarem à nova realidade encontrada, considerando o tempo em que o projeto foi executado e o efetivo início da mesma.

Ainda conforme a assessoria, “o secretário de infraestrutra estadual , considerando a especificidade das obras, que são semelhante ao Prosamim, determinou a transferência da execução do  UGPE, esta semana. No momento, o referido programa está em fase de readequação para atender exigências do órgão financiador da obra, referentes a ajustes nos projetos. Somente após essa aprovação, poderemos concluir o processo de reassentamento e reiniciar as obras. A UGPE está trabalhando com a previsão para reiniciar essas obras no primeiro trimestre de 2016”.

Por Conceição Melquíades

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