Holofotes

Miss achada morta pode ter cometido suicídio, diz polícia gaúcha

A Polícia Civil de Gramado (RS) trabalha com a hipótese de suicídio como a principal linha de investigação para a morte de Fabiane Niclotti, 31, coroada Miss Brasil em 2004. Ela foi encontrada já sem vida na casa onde morava, no mesmo município, sem sinais de ferimento nem de que o imóvel tivesse sido arrombado, na noite de terça-feira (29).

“Nós trabalhamos com todas as possibilidades, até porque é início da investigação. Dependemos da perícia, para ver o que vai apontar. O que colhemos até o momento, em depoimentos no local, é que ela apresentava quadro depressivo e já havia tentado suicídio anteriormente”, afirma Gustavo Barcellos, delegado responsável pelo caso.

Segundo Barcellos, na casa foram encontrados diversos medicamentos controlados, inclusive antidepressivos. Familiares da ex-miss confirmaram que ela estava em tratamento contra depressão.

A polícia também descobriu que Fabiane teria comentado com uma amiga sobre a intenção de suicídio e que mencionou uma carta onde explicaria com quem queria deixar suas coisas e seu cachorro. Mas até o momento nada foi encontrado pela polícia.

PS e Pequeno Príncipe

Quando foi coroada Miss Brasil em 2004, Fabiane tinha 19 anos, nunca havia lido “O Pequeno Príncipe” e sonhava em criar um pronto-socorro ou uma clínica hospitalar em Gramado, sua cidade natal na Serra Gaúcha. Estudante de enfermagem na época, ela também nunca havia pensado em participar de concursos de beleza ou em aceitar as várias propostas que recebia, caminhando na rua, para tentar uma carreira de modelo.

Tudo mudou quando a morena de olhos verdes e 1,82 m de altura pisou pela primeira vez na passarela e ganhou o júri do Miss Rio Grande do Sul. “O que mais chamou a atenção na Fabiane, primeiro, foi a beleza. Mas o maior destaque foi o sorriso sincero e largo. Não era esse sorriso forçado que a gente vê muito. Ela estava feliz de verdade”, lembra a ex-Miss Brasil Deise Nunes, jurada do concurso no ano em que Fabiane concorreu.

‘Lynda Carter’ e vereadora

Além do sorriso, que era sua marca registrada, Fabiane também era vista por muitos como uma pessoa “reservada”.

O missólogo (preparador de misses) Evandro Hazzy conta que Fabiane era frequentemente comparada com a atriz americana Lynda Carter, conhecida pelo papel de Mulher Maravilha, nos anos 1970. Responsável por colocar a faixa de Miss Brasil em oito candidatas gaúchas, Hazzy diz que Fabiane foi a “terceira joia de sua coroa”.

“Ela sempre foi uma das mulheres mais humanas que eu conheci. Sempre queria saber como eu estava. Ela dava valor às pequenas coisas, às pessoas humildes, aos animais e nunca teve o sonho de ficar famosa”, diz Hazzy.

Mesmo após ter apresentado um programa na TV Bandeirantes e ter ido morar em Londres, ele lembra que Fabiane ainda preferia estar perto da família e falava muito sobre os estudos e ter seu próprio negócio.

Depois do curso de enfermagem, ela chegou a estudar Ciências Sociais, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e este ano iria concluir o curso de Direito na Universidade de Caxias do Sul (UCS).

Quando voltou à sua terra natal, Fabiane também trabalhou na promoção turística da Secretaria de Turismo de Gramado em duas oportunidades. “Ela sempre foi excelente no relacionamento com todos, sempre muito solícita e disposta para ajudar. É chocante o que aconteceu e estamos muito impactados”, lamenta a secretária de Turismo Rosa Helena Volk, que trabalhou com a ex-miss.

Fabiane também era cotada como candidata a vereadora nas eleições deste ano. No final de março, ela deixou o PTB e se filiou ao PMDB, para concorrer. O partido diz que ela ainda avaliava a candidatura.

Hazzy, que acompanhou Fabiane no concurso de Miss Universo, em Quito, Equador, disse que ainda está sem coragem para “encarar o velório” da amiga. Os dois se viram pela última vez havia um mês. “Ela estava translumbrante. Mas infelizmente a vida da gente tem um inicio, meio e fim. É uma perda que vou demorar a aceitar.”

Por Folhapress

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