Política

Ministro do STF nega suspensão do processo de cassação de Delcídio

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Celso de Mello negou nesta quarta-feira (16) pedido da defesa do senador Delcídio do Amaral (ex-PT-MS) para suspender seu processo de cassação em discussão no Conselho de Ética do Senado.

A íntegra da decisão do ministro ainda não foi divulgada. Os advogados de Delcídio apontaram ao Supremo ilegalidades na condução do processo, como a parcialidade do relator do caso, senador Telmário Mota (PDT-RR) e o fato de o caso está sendo avaliado mesmo com o ex-petista de licença médica, o que poderia ferir o amplo direito de defesa.

O Conselho de Ética do Senado se reúne nesta quarta para analisar o parecer de Telmário que é a favor da abertura do processo de cassação de Delcídio, que é acusado de quebra de decoro parlamentar por envolvimento na Lava Jato.

Se for aprovado o parecer, o Conselho de Ética do Senado abrirá em definitivo o processo contra o senador petista.

O relator considerou que, diante dos fatos já publicados sobre Delcídio, o processo de cassação deveria avançar. Telmário fez referência à conversa de Delcídio com Bernardo Cerveró, filho do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró. O petista era líder do governo no Senado quando foi preso, em 25 de novembro, acusada de tentar obstruir as investigações da Operação Lava Jato.

Bernardo gravou uma conversa na qual o senador oferecia R$ 50 mil para a sua família e um plano de fuga para que o ex-diretor não fechasse acordo de delação premiada com o Ministério Público.
Telmário afirmou ainda que a delação premiada feita por Delcídio, se for homologada pelo Supremo Tribunal Federal, incriminará o petista e chamou o senador de “frouxo” por ter feito o acordo de delação.
“O delator tem dois defeitos: primeiro ele é reu confesso e depois ele é frouxo. […] Para mim, o corrupto tem que ficar bem pianinho. Tem que voltar lá para o lugar dele”, disse.

Em depoimentos de colaboração premiada, o senador Delcídio do Amaral, que se desfiliou do PT nesta terça-feira (15), implicou 74 pessoas, fez acusações ao governo e à oposição e elevou a pressão sobre a presidente Dilma Rousseff dois dias depois depois da maior manifestação contra a petista.

Entre os citados nos relatos de Delcídio, estão alguns dos principais líderes políticos do país, como Dilma, o vice Michel Temer, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o senador tucano Aécio Neves (MG).

O agora ex-petista disse que Dilma tentou interferir na Operação Lava Jato por meio do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça. Também atribuiu a ela a nomeação para um cargo na BR Distribuidora de Nestor Cerveró, preso e já condenado em processos da Lava Jato.

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