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Ministro do Exército do governo José Sarney morre no Rio aos 94 anos

O Ministério da Defesa confirmou há pouco que morreu na manhã desta quinta-feira (4) o general da reserva Leônidas Pires Gonçalves, que foi ministro do Exército no governo de José Sarney (1985-1990) durante a transição da ditadura para o primeiro governo civil após 21 anos de regime militar.

Nascido em Cruz Alta (RS) em 1921, Gonçalves formou-se na Escola Militar do Realengo em 1942, segundo nota divulgada pelo Comando do Exército. Ele começou servindo em Rio Grande (RS), onde integrou o contingente com cerca de 2 mil homens que guarneceu o litoral sul do país durante a Segunda Guerra, segundo o Exército.

Durante a ditadura, no posto de general, entre 1974 e 1977 foi chefe do Estado-Maior do 1º Exército, no Rio, e depois comandante Militar da Amazônia. Em 1983, comandou o 3º Exército, em Porto Alegre (RS).

Segundo o Exército, Gonçalves tinha 94 anos e deixou esposa, dois filhos, quatro netos e sete bisnetos.

O velório ocorrerá no Palácio Duque de Caxias, no Rio, e a cremação ocorrerá por volta das 13h do próximo sábado no crematório São Francisco Xavier, no bairro do Caju, no Rio.

Em entrevista publicada pela Folha de S.Paulo em março de 2014, o general disse não concordar com a avaliação história feita sobre o golpe de 1964. “A verdade é filha do poder. Nós, militares, nunca fomos intrusos da história. Mas, infelizmente, a história contada hoje é mentirosa. Há muita safadeza histórica”, disse o general.

Indagado se houve tortura durante a ditadura, Gonçalves reconheceu que sim, mas discordou das discussões atuais sobre os crimes da época.

“Houve [tortura]. Você não controla a raça humana. Não gosto de falar sobre o tema, não por não me orgulhar do que seja o Exército, mas acho que temos problemas maiores no país para ficarmos olhando para trás. Sou um patriota, não entendo porquê se discute tanto uma coisa do passado, há 50 anos. Você quer parar o país por causa de quatro, cinco mortos? Eles ganharam no tapetão. Não querem falar da subversão da esquerda, só falam de 1964 a partir do prisma da revolução. Mas a revolução não foi limpinha, nós também cometemos equívocos”, disse o general.

Em 2010, em outra entrevista à Folha de S.Paulo, Gonçalves discorreu sobre o papel do SNI (Serviço Nacional de Informações) durante a sua gestão no Ministério do Exército .

Ele disse que os trabalhos do órgão eram “de rotina” e que todo governo necessita de um serviço de inteligência para subsidiar as decisões dos presidentes.

“O Sarney se valia, sim, das informações do SNI. Mas isso era a rotina, a prática, não havia nada de irregular”, disse o general.

Por Folhapress

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