Sem categoria

Ministério Público Militar abre inquérito para investigar morte de onça durante passagem da Tocha Olímpica em Manaus

 

Além do Ipaam a promotoria militar solicitou esclarecimentos também ao CMA  - foto: Ivo Lima/Ministério do Esporte

Além do Ipaam a promotoria militar solicitou esclarecimentos também ao CMA – foto: Ivo Lima/Ministério do Esporte

O Ministério Público Militar (MPM) abriu inquérito para investigar as circunstâncias do abatimento da onça, ocorrido nas dependências do Centro de Instrução de Guerra na Selva (Cigs), no último dia 20 de junho, logo após a passagem da Tocha Olímpica pelo local. A sindicância foi aberta na última segunda feira (27), mas só foi publicada nesta quinta-feira (30) no Diário Oficial da União (DOU). No documento a promotoria militar solicita ao Comando Militar da Amazônia (CMA) esclarecimentos sobre o ocorrido para tomar as medidas cabíveis.

O Instituto de Proteção Ambiental da Amazônia (Ipaam), órgão responsável pela investigação do caso por meio do setor de Gerencia de Fauna, informou que já notificou e solicitou informações ao 1º Batalhão de Infantaria de Selva (Bis) e ao Cigs na semana passada. Destes apenas o Cigs já respondeu aos questionamentos. Até o fechamento desta edição, o Ipaam ainda aguardava resposta do 1º Bis, que está envolvido porque era o abrigo do animal.

O Ipaam esclareceu que depois de recebida as notificações, as unidades militares tem até cinco dias úteis para enviar resposta. As investigações são baseadas na Lei Federal de Crimes Ambientais 9.605/98, que pode gerar multas, caso seja comprovado nos autos que houve crime ambiental. As punições já serão elencadas no relatório a ser concluído pela Gerência de Fauna.

Na portaria publicada no DOU o MPM entre outras demandas, busca saber se o animal foi treinado para fazer aparições em público, qual o esquema de segurança dos militares para eventos com animais silvestres, qual a organização militar responsável pela onça e se foi o esquema de segurança estava treinado para agir em caso de fuga do felino.

Além do Ipaam a promotoria militar solicitou esclarecimentos também ao CMA, que por sua vez, informou que uma reunião estava marcada para acontecer hoje (1º) com o setor jurídico do órgão para acertar as providências a serem tomadas.

Rio 2016

À época do ocorrido, o Comitê Olímpico Rio 2016 emitiu nota se posicionando sobre o fato. “Erramos ao permitir que a Tocha Olímpica, símbolo da paz e da união entre os povos, fosse exibida ao lado de um animal selvagem acorrentado. Essa cena contraria nossas crenças e valores. Estamos muito tristes com o desfecho que se deu após a passagem da tocha. Garantimos que não veremos mais situações assim nos Jogos Rio 2016”, dizia a nota.

Repercussão e protesto

A morte do animal gerou repercussão negativa em nível nacional e até internacional, com profundas críticas a conduta dos militares. Em Manaus, um grupo de aproximadamente 30 pessoas, entre apoiadores e ativistas de organizações protetoras dos animais, fizeram um protesto na manhã do último sábado (25), em frente ao Cigs. O grupo pedia que o Exército revisse a conduta de utilização de animais em eventos públicos.  A Ong Pata-Manaus que esteve no ato, elaborou uma petição pública pedindo que os animais não sejam usados em eventos público visando reparar os riscos à saúde dos animais.

Por Joandres Xavier

Comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Subir