Dia a dia

Ministério Público e SSP-AM apresentam balanço da operação ‘Blackout’

 Pessoas ligadas ao crime organizado contra o meio ambiente, contra o patrimônio, além de realizarem lavagem de dinheiro foram presas - foto: Arthur Castro

Pessoas ligadas ao crime organizado contra o meio ambiente, contra o patrimônio, além de realizarem lavagem de dinheiro foram presas – foto: Arthur Castro

A segunda etapa da operação ‘Blackout’ foi realizada na manhã desta sexta-feira (23), na comunidade Cidades das Luzes, bairro Tarumã, Zona Oeste. Dessa vez, o objetivo foi cumprir mandado de busca e apreensão de equipamentos e bens que eram usados por pessoas suspeitas de estarem ligadas ao crime organizado contra o meio ambiente, contra o patrimônio, além de realizarem lavagem de dinheiro.

Na ação, foram apreendidos dois tratores, quatro caminhões, madeira, um transformador, material de construção.  Os estabelecimentos comerciais que estavam sem licença foram fechados. O procurador-geral, Carlos Fábio Monteiro, registrou a venda de barro em comércios da comunidade que eram retirados da própria área. Monteiro classificou o episódio como “surreal”. Também foi constatada a existência de ‘pseudo-indígenas’, pessoas que se dizem ser índios.

Fábio Monteiro contou que o foco desta segunda etapa foi os estabelecimentos comerciais que estavam atuando irregularmente, e ressaltou que os donos desses pontos comerciais chegavam a obrigar os moradores, a comprar apenas nessas lojas da comunidade, caso precisasse fazer alguma obra ou reforma.

De acordo com o titular da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), Sérgio Fontes, as irregularidades já haviam sido identificadas na primeira etapa da operação pelos investigadores, Ministério Público e sistema de segurança, mas naquele momento não dava para atuar, por existir uma maioria de pessoas carentes, usadas como massa de manobra pelos criminosos.

Os líderes das organizações criminosas que atuavam na comunidade já foram desarticulados e estão presos. O patrulhamento da área está sendo feito todos os dias, com a entrada livre das forças de segurança.

Fontes disse ainda que há muitas invasões em Manaus, mas nada que se compare à Cidade das Luzes, que apresentou associação ao crime organizado e crime ambiental, de invasão e narcotráfico. Segundo ele a ligação com o crime existe e a invasão foi colocada com esse objetivo.

“A constatação de que o crime organizado estava por trás da invasão é um fato recente. Lamentamos que 61 hectares de florestas já tenham sido destruídos e o ambiental que já foi causado. Lamentamos o prejuízo social daquelas famílias que estão ali e precisam estar, mas esse tipo de invasão não pode existir”, disse Sérgio Fontes.

Fabio monteiro reiterou que, na primeira fase da operação, entre outras ativadas, foram realizados os mandos de prisões, e nesta 2º fase a atividade foi atacar e desmobilizar a parte estrutural da invasão. Disse ainda que o próximo passo agora é tratar diretamente com governo do Estado para desapropriar o local e fazer voltar ao status quo, como uma área de proteção ambiental.

Monteiro chamou atenção para o aumento das invasões em anos de eleição por conta de pessoas que se profissionalizaram na indústria da invasão, que funciona com o apoio para políticos com votos de comunitários em troca do auxílio de políticos dado aos invasores.

O procurador concluiu dizendo que há indicativos de que a mesma milícia que atuava na Cidade das Luzes já estava atuando em outras invasões e que as medidas cabíveis já estavam sendo tomadas para que não ocorra a migração desses criminosos para outras áreas de invasão.

A operação contou com o apoio da Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM), Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz), Eletrobrás Amazonas Energia, Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), Polícia Civil do Amazonas, Polícia Militar do Amazonas, Superintendência Estadual de Habitação (Suhab) e Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf).

Por Joandres Xavier

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