Dia a dia

Ministério da Saúde declara que falta de hábito coloca em risco a qualidade de vida dos homens

saude-homem-Ione-Moreno

Um homem procurando o serviço de saúde é uma cena bastante rara, segundo levantamento realizado pelo Ministério da Saúde – foto: Ione Moreno

Na semana do Dia dos Pais, o Ministério da Saúde divulgou uma pesquisa apontando que quase um terço (31%) dos homens brasileiros não tem o hábito de ir aos serviços de saúde para acompanhar seu estado de saúde e buscar auxílio na prevenção de doenças e na qualidade de vida.

O motivo dessa negligência são barreiras socioculturais existentes há muito tempo no país. Em muitos casos, os homens pensam que não ficam doentes ou têm medo de descobrir doença, além de sentirem que esse cuidado pode interferir na sua imagem de protetor da família.

Uma das respostas mais comuns entre os homens (55%) é dizer que não buscaram os serviços de saúde porque nunca precisaram. Essa falta de cuidado, no entanto, esconde uma crescente consequência para a maioria dos brasileiros: eles morrem mais cedo do que as mulheres e de doenças que poderiam ser prevenidas, como acidentes vasculares, infartos, cânceres e doenças do aparelho digestivo.

O psicólogo Alberto Jorge da Silva, 56, sentiu na pele os efeitos dessa negligência e quase não teve chance de viver para contar. “Em 2005 tive uma síndrome metabólica que me deixou numa UTI por três semanas. Minha pressão arterial estava altíssima e passei mais 15 dias internado no Hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo. Por ser afrodescendente tenho hiperplasia prostática. Esse quadro me obriga a estar em controle rigoroso de seis em seis meses. Foi a falta desse hábito – visita médica regular – que me fez aos 45 anos ter um quadro tão grave. Estava com quase 100 quilos e considerava isso normal. O excesso de peso somado à falta de exercícios e o stress profissional e social me levaram à beira da cova. Hoje não descuido”, garante.

“Os homens relutam por falta de preparo e de hábito. É uma tradição cultural: as mulheres, por exemplo, vão ao médico, via de regra, quando começam a vida sexual. Os homens não têm esses exemplos dos pais e só vão procurar quando os problemas começam, o que ocorre por volta dos 40 anos”, explica o urologista Cristiano Paiva.

A partir deste diagnóstico e aproveitando a semana em que se comemora o Dia dos Pais, o Ministério da Saúde lança o Guia do Pré-Natal do Parceiro e o Guia da Saúde do Homem para agente comunitário de saúde. O objetivo é aproveitar o momento em que o homem está mais próximo do serviço de saúde, acompanhando sua parceira no pré-natal, para que ele adote hábitos saudáveis e realize exames preventivos.

Como a chegada de um filho traz mudanças à família, a ideia é despertar nos futuros pais a necessidade de adoção de medidas preventivas que lhe garantam um futuro ao lado dos filhos.

A pesquisa mostrou ainda que, apesar do pré-natal da parceira ser o momento em que o homem está mais próximo do serviço de saúde, ele ainda é pouco aproveitado pelos profissionais.

A maioria dos homens (80%) disse que acompanhou a parceira nas consultas de pré-natal, mas 56% disseram que o atendimento teve foco apenas nas orientações para a gestante.

O inquérito telefônico foi realizado em 2015, com mais de seis mil homens cujas parceiras fizeram parto no SUS. Dentre os participantes, 80% tinham entre 20 e 39 anos e 67,3% afirmaram ter renda entre 1 e 2 salários mínimos. Quase metade (49%) relataram que são casados e apenas 36,9% possuíam nível médio completo.

Homens vivem menos

O resultado da busca tardia pelo serviço de saúde é que, em média, os homens vivem sete anos a menos que as mulheres. Segundo a última pesquisa do IBGE, enquanto a expectativa de vida dos homens alcançou 71 anos, entre as mulheres, a expectativa é de 78 anos.

Causas

As causas que mais matam os homens são as externas, (acidentes de trânsito e violências), seguido de doenças do aparelho circulatório, neoplasias e aparelho digestivo. Ou seja, males que, se conhecidos no estágio inicial, podem ser prevenidos ou controlados.

No quesito da nutrição, 57% dos homens têm sobrepeso e 18% estão obesos, 25% deles consomem bebidas alcoólicas, 13% deles fumam e apenas 31% consomem regularmente frutas e verduras.

Comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Subir