Política

Michel Temer tem que ser habilidoso, avalia Arthur Neto

O prefeito de Manaus lembrou que Temer não tem o apoio popular e que terá que ser hábil nas negociações - foto: divulgação

O prefeito de Manaus lembrou que Temer não tem o apoio popular e que terá que ser hábil nas negociações – foto: divulgação

No início da tarde desta quarta-feira (11), o prefeito de Manaus, Arthur Neto (PSDB), já dava como estado terminal o governo da presidente Dilma Rousseff, encerrando assim o ciclo de 13 anos do Partido dos Trabalhadores (PT) no poder – tempo que, por ironia do destino ou não, corresponde ao número da sigla – e de antemão, já prevê o que se pode esperar do presidente interino Michel Temer (PMDB).

“O presidente Michel Temer terá que ser muito habilidoso, porque não será uma tarefa fácil conter os apetites fisiólogos de pessoas que, hoje, detêm de grande poder. Ele deve apresentar um governo com pessoas sérias, ilibadas e capazes, como bons executivos, de tomarem as decisões corretas. É uma situação extremamente difícil”, disse Arthur sobre o drama vivido pelo país, destacando que Dilma “perdeu todas as condições de governabilidade”.

Experiente na articulação política, Arthur Neto acredita que Temer deve ter prioridade em consolidar uma definição na sociedade de que é um governante capaz de reverter as expectativas negativas da economia.

“Acho que ele tem que procurar ser habilidoso com o Senado, mas não ficar refém de quem quer que seja. Temer deve ficar sintonizado com a opinião pública. Explicar todas as medidas que tomará, e deve tomar todas as medidas necessárias, falando uma linguagem muito aberta e muito sincera para a população. Se conseguir conquistar a sociedade, o presidente não perde a base parlamentar. A base parlamentar abandona o governo frágil, mas não abandona um governo forte. A minha experiência me aponta essa direção”, aconselhou o prefeito.

Arthur Neto, ex-senador e que já foi líder do partido na casa, lembrou também que Temer não tem o apoio do povo nas ruas e precisa tomar bastante cuidado com as traições.

“Michel assume sem ainda ter ao seu lado as ruas. Seria uma ilusão dizer que as ruas estão com ele, porque as ruas estão contra Dilma, contra Lula, apenas. Ele precisa construir essa ligação direta com a sociedade, o que vai influenciar no humor da sua base parlamentar. Ele, pelo homem experiente que é, deve estar meditando sobre isso. Mas nós vimos as inúmeras traições de pessoas que estavam próximas a ela (Dilma) e de seu governo. Parte deste desgaste tem a ver com pessoas que se passaram por heróis”, alertou Arthur, que acompanhou, ontem, em Manaus, todo o processo da votação pela TV.

Pré-candidato à Prefeitura de Manaus, o vice-governador do Estado, Henrique Oliveira (SDD), está em Brasília, onde assistiu de perto a movimentação no Senado. “Estou aqui como brasileiro, membro de um partido político e como homem público e defensor da democracia. É um momento muito traumático.

Mesmo respeitando a vitória da presidente Dilma, que não foi apoiada pelo Solidariedade, a gente torce para que tudo dê certo. Infelizmente, os acontecimentos foram demonstrando que uma quadrilha estava instalada no Palácio do Planalto, dentro de um partido político que governou o país nos últimos 13 anos, sem perspectiva nenhuma de crescimento’’, disse o vice-governador, reprovando a gestão Dilma.

Oliveira aposta num recomeço, numa nova oportunidade ao Brasil. “O que a gente sente é que hoje (ontem) batemos um novo centro, o jogo recomeça. É dado uma nova oportunidade. Dizer que o Temer vai resolver as questões é muito cedo para se falar, mas estamos sem opção. Convocação de eleição nesse momento, gera custo, e deixar que um presidente da Câmara dos Deputados também assuma o governo, é complicado. Temos que torcer pelo recomeço e estarmos vigilantes com a política de investigação da Lava Jato”.

O vice-governador ressaltou que o Amazonas foi o Estado que mais sentiu os impactos da crise, haja vista que a indústria local produz o que o Brasil deixou de consumir, a exemplos de motocicletas, smartphones e eletrodomésticos.

O EM TEMPO procurou o governador do Estado, José Melo, para comentar os acontecimentos políticos, mas, conforme a secretaria de Comunicação, ele somente vai se pronunciar a respeito na próxima semana, quando os ânimos estiverem mais calmos.

PMDB-AM está otimista
Otimismo. É com este sentimento que o deputado estadual Vicente Lopes, líder do PMDB na Assembleia Legislativa do Estado (Aleam), enxerga a mudança na presidência da República. Com a aprovação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) pelo Senado, seu companheiro de partido, o vice-presidente Michel Temer, terá a missão de resgatar um país em baixa, em todos os aspectos possíveis, a princípio, pelos próximos 180 dias.

“Eu digo que me associo a milhões de brasileiros que aguarda com expectativa esse novo momento, já que o pais sofre com uma crise ética, econômica e moral. A simples mudança na presidência da República não vai fazer com que a gente recupere a economia num passe de mágica, mas dará confiança renovada para investidores estrangeiros e locais. Estou otimista”, disse Lopes.

O deputado lamentou o momento pelo qual o país atravessa, mas vê a mudança no comando do país como necessária.

Por equipe EM TEMPO Online

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