Economia

Metalúrgicos da Volks aprovaram adesão ao PPE

Os metalúrgicos da Volkswagen de São Bernardo do Campo aprovaram em assembleia nesta quinta-feira (17) a adesão ao PPE (Programa de Proteção ao Emprego) e terão salários e jornada de trabalho reduzidos por um prazo de seis meses.

A jornada será 20% menor e, na prática, os salários terão redução de 10%. Isso porque a legislação que regulamentou o programa prevê que o FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) pague metade (10%) da remuneração reduzida.

A decisão vale para 12.600 funcionários dos setores administrativos e da produção. Considerando o salário médio de R$ 6.200 na fábrica de São Bernardo, os trabalhadores vão deixar de receber R$ 620 mensais, segundo dados do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC de janeiro deste ano.

Procurada, a montadora ainda não se pronunciou sobre a aprovação da proposta na tarde desta quinta-feira. Segundo o sindicato, a empresa tem afastados em lay-off cerca de 2.600 trabalhadores.

A Volks é a terceira montadora a aderir ao programa, já aprovado na Mercedes-Benz de São Bernardo do Campo e na Caterpillar, fabricante de máquinas agrícolas de Piracicaba (SP).

Segundo o sindicato da categoria, as negociações duraram 15 dias e o plano é uma forma de a montadora enfrentar a queda nas vendas, consequência da crise na economia.

Garantias

Wagner Santana, secretário-geral do sindicato, explicou que o acordo de PPE feito com a montadora prevê que a redução de salário não incida sobre benefícios como 13º salário e férias dos trabalhadores.

“Também conseguimos que a montadora pague a diferença entre o teto de R$ 900 previsto para o governo pagar, por meio do FAT. Isso significa que, se o trabalhador ganha R$ 15 mil, com a redução salarial de 20% (R$ 3.000), ele receberia R$ 900 do FAT, e não R$ 1.500. Conseguimos, com o acordo, que a empresa pague os R$ 600 de diferença para atingir a redução de 10%”, explicou.

Pelo acordo aprovado nesta quinta, 850 trabalhadores afastados em lay-off (no total são 2.600) devem retornar à fábrica em novembro. Os demais, em janeiro.

PPE

O Programa de Adesão do Emprego tem vigência até o fim de 2016. A adesão das empresas deve ser feita até dezembro deste ano.

Por meio do PPE, as empresas podem reduzir até 30% da jornada de trabalho e do salário de seus funcionários. O FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) participa complementando a renda desses empregados com até 50% da perda salarial. Esse repasse também deve ser inferior de até R$ 900 por trabalhador.

Segundo as regras do PPE, empresas só podem lançar mão do programa em casos de crise econômica, comprovada pela empresa e em concordância do sindicato representativo da categoria e assembleia deliberativa sobre o tema. Ou seja, empresas que tenham problemas de gestão não entram no programa.

O PPE também só pode ser ativado quando a empresa não possa mais utilizar outras estratégias, como banco de horas e férias (inclusive coletivas).

As empresas que aderirem ao programa não poderão dispensar os empregados que tiveram sua jornada reduzida enquanto vigorar o regime diferenciado de trabalho. No fim do programa, o trabalhador não poderá ser demitido por prazo equivalente a um terço do período de adesão.

 

Por Folhapress

Comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Subir