Política

Metade dos deputados do AM votou a favor da cota para mulheres nas eleições

Com 293 votos a favor, a matéria acabou sendo rejeitada pela Câmara dos Deputados, pois o mínimo necessário era de 308 – foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

Com 293 votos a favor, a matéria acabou sendo rejeitada pela Câmara dos Deputados, pois o mínimo necessário era de 308 – foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

Metade dos representantes do Amazonas na Câmara dos Deputados votou a favor, nesta terça (16), da proposta de emenda à Constituição (PEC) 182/07, que previa percentual mínimo de vagas nos Legislativos para candidatas mulheres.


Os deputados federais Marcos Rotta (PMDB), Conceição Sampaio (PP), Hissa Abraão (PPS) e Arthur Bisneto (PSDB) votaram a favor da proposta. Pauderney Avelino (DEM) e Silas Câmara (PSD) se abstiveram. Alfredo Nascimento (PR) não estava presente na sessão e não teve voto computado. O único deputado amazonense que votou contra o texto foi Átila Lins (PSD).

Apresentado pela bancada feminina do Congresso, no âmbito da reforma política, a matéria acabou sendo rejeitada pela casa legislativa. Teve apenas 293 votos a favor, quando o mínimo necessário era de 308. Houve 101 votos contrários e 53 abstenções.

O texto estabelecia cota progressiva de vagas para as mulheres nas próximas três legislaturas, nas câmaras municipais, assembleias legislativas e na Câmara dos Deputados. Esse percentual seria de 10% na primeira, de 12% na segunda e de 15% na terceira.

“Sou a favor de um voto universal como manda a Constituição. Não tenho nada contra as mulheres, pelo contrário, sou de total apoio que elas tenham melhores condições de atuar na política, só que a política não é um lugar onde todos querem estar”, disse Pauderney Avelino.

Conceição Sampaio avalia que a rejeição à PEC se deveu ao baixo quórum na Câmara dos Deputados. Ela lamentou o resultado, mas disse ter esperança no segundo turno de votação, que acontece na segunda quinzena de julho.

“Já estamos mobilizando os colegas para reavaliar os votos. A nossa bancada está bem atenta. Esse período da legislatura seria muito importante para que as mulheres pudessem ganhar um espaço na política. Alguns colegas já nos disseram que vão reavaliar seus votos”, amenizou.

Baixa representatividade

No Amazonas, assim como no restante do país, as mulheres tem baixa representatividade na política, embora sejam a maioria da população.

Apenas oito dos 41 vereadores da Câmara Municipal de Manaus (CMM) são mulheres. Entre os 24 deputados da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), Alessandra Campelo (PCdoB) desponta como a única representante do voto feminino. A situação é semelhante na Câmara dos Deputados, onde está Conceição Sampaio.

As amazonenses só são maioria no Senado, sendo representadas por Vanessa Grazziotin (PCdoB) e Sandra Braga (PMDB) – que entrou como suplente do marido e hoje ministro das Minas e Energia, Eduardo Braga (PMDB).

“Eu acho que as cotas não vão resolver a questão da pequena representatividade das mulheres na classe política. Mas, sinceramente, lamento o posicionamento de alguns deputados federais do Amazonas, que deveriam ter um conceito da luta feminina. Quando tiveram uma oportunidade de se posicionar, acabaram se abstendo”, desabafou a vereadora Socorro Sampaio (PP).

“Isso é um retrocesso, porque nos temos mais que comprovado que as mulheres têm toda preparação para política. Se nós estamos preparadas para gerir indústrias, empresas, o país, por que não temos uma cota diferenciada?”, questionou a vereadora Professora Jacqueline (sem partido).

“Sistema injusto”

A parlamentar classificou o atual sistema de cotas como injusto e disse que o dispositivo existe apenas para cumprir uma obrigação legal. “As mulheres nunca vão concorrer em pé de igualdade, pois somos convidadas apenas para completar a lista de candidatos. Só que sem a mesma condição de luta”, lamentou.

Mais otimista, Vanessa Grazziotin avalia que a luta em favor da maior participação feminina no Legislativo brasileiro está avançando e que a aprovação da proposta depende apenas de mais tempo para articulações políticas.

“O que achei interessante é que assim que acabou a votação, alguns parlamentares foram até o presidente [da Câmara] cobrar se havia alternativas para votar a cota. Então, o que nós precisamos fazer é construir essa alternativa diferente. O que vamos fazer é reforçar os movimentos nos Estados”, encerrou.

Com informações de Joandres Xavier (especial EM TEMPO Online) e Kattiucia Silveira (equipe EM TEMPO Online)

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