Dia a dia

Mesmo com greve legalizada, rodoviários aguardam negociação

A medida foi determinada pelo desembargador do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região – Arquivo Em Tempo

A Justiça do Trabalho autorizou a greve geral dos rodoviários em Manaus a partir da próxima segunda-feira (23). Entretanto, o Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Rodoviário de Manaus (STTRM) afirmou que vai aguardar o prazo negociado com a Prefeitura de Manaus para deflagrar ou não uma nova paralisação. Outra rodada de negociação deve acontecer até a próxima sexta-feira (27).

Segundo o presidente do sindicato, Givancir Oliveira, a categoria entrou em acordo com o prefeito em exercício, Marcos Rotta, em nome de Arthur Neto, e vai cumprir o prazo de dez dias, sem manifestações ou paralisações, dado para que os empresários negociem o reajuste salarial, segundo a data base, além de outras exigências.

“Vamos cumprir o acordo firmado com a prefeitura. Se até o último minuto da próxima quinta-feira não houver negociação, nós vamos parar 50% da frota”, salientou.

A medida foi determinada pelo desembargador do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região, Adilson Maciel Dantas, nesta quinta-feira (19), após o sindicato da categoria entrar com pedido para o pagamento do dissídio coletivo seguindo os procedimentos da Lei de Greve. O juiz deu autorização aos rodoviários para realizar o movimento desde que a sociedade e os empresários sejam comunicados, com antecedência, por meio de jornais, rádios, TV, blogs e portais de notícias.

“A decisão da Justiça mostra que estamos certos. Não adiantou os empresários tentarem de tudo para mostrar que a categoria estava errada. Foi uma vitória na Justiça, mostramos que cumprimos todas as determinações da Lei de Greve. Fizemos a assembleia, avisamos todos os órgãos e a população em geral. O que eles fizeram foi vergonhoso. Dizer que a gente não cumpriu os procedimentos é triste. Ficamos muito contentes porque a Justiça entendeu que estamos fazendo o correto. Os trabalhadores têm direito de ter o reajuste e outras melhorias”, declarou o vice-presidente do sindicato, Josildo de Oliveira Silva.

Procurado pela reportagem, o prefeito em exercício, que conduz as negociações entre os empresários e os rodoviários, disse que já está agendando uma reunião com os empresários do setor de transporte e representantes do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram). O encontro deve ocorrer na próxima semana.

“A postura da prefeitura é de manter o que foi acordado em reunião com os dirigentes do Sindicato dos Rodoviários, de intermediar as negociações entre o laboral e o patronal. O próximo passo é reunir com os empresários”, disse Marcos Rotta.

De acordo com a decisão, a categoria pode fazer paralisar desde que garanta o funcionamento de 50% da frota, a partir do início da greve, que está autorizada a partir da próxima segunda, mas não será realizada se houver a negociação até o fim do prazo estabelecido durante reunião, na sede da prefeitura, na quarta-feira (18). O magistrado ressaltou que a greve é um direito constitucional do trabalhador quando ocorrida dentro das condições legais.

“Cuida-se de um mecanismo posto à disposição da classe laboral na luta pelo alcance de melhores condições de trabalho, de recomposição de perdas remuneratórias, contra práticas empresariais lesivas aos direitos dos trabalhadores, enfim, é o instrumento legítimo de defesa do menor contra o maior”, disse o magistrado em parte da decisão.

Sobre a possibilidade de fazer “catraca livre”, levantada por parte da população que acredita que os rodoviários poderiam manter o serviço sem cobrar pelas passagens, Josildo foi enfático e disse que a ação é um crime de apropriação indébita.

“Algumas pessoas querem a catraca livre, mas isso não é possível. É um crime e nós vamos agir dentro da Lei. Queremos nossos direitos sem prejudicar ninguém. Vamos aguardar a negociação e confiamos que nosso pedido será atendido”, relatou Josildo.

O motorista que venha a praticar “catraca livre” pode ser punido em até cinco anos de prisão, mais multa.

Greve

Na última terça-feira (17), 100% da frota de ônibus parou e mais de 800 mil usuários do transporte coletivo de Manaus foram prejudicados. Na ocasião, a Justiça do Trabalho havia determinado que todos os membros da diretoria do STTRM fossem presos. A decisão saiu após a categoria não acatar a decisão judicial que proibia a realização da greve.

Bruna Souza

EM TEMPO

 

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