Cultura

‘Mercedita’ celebra uma década no palco do Teatro Amazonas

O espetáculo “A Herança Maldita de Mercedita de La Cruz” tem como eixo principal a decadência em que a cidade de Manaus mergulhou na transição da década de 40 para 50, em consequência do declínio econômico – Divulgação

O espetáculo estreou no dia 6 de dezembro de 2006 no Teatro Amazonas e a apresentação do dia 5 de março será emblemática, pois naquela noite de quarta-feira da estreia, ‘Mercedita’ já começou com o ‘pé direito’ e público pagante com mais de 600 pessoas em uma noite de quarta-feira. ‘Não sabíamos que a peça ia estourar. Aquela mágica noite já nos mostrou o sucesso da peça, que depois foi ao Rio de Janeiro, Acre e Amapá e rendeu prêmios à direção e ao dramaturgo. Grandes temporadas lotadas foram feitas em espaços locais como Teatro da Instalação, Auditório do ICBEU, Teatro do Sesc e Teatro Amazonas, entre outros”, disse o ator e idealizador do projeto, Michel Guerrero.

O ator ainda ressalta a empatia do público com os personagens, atores e a história de ‘Mercedita’. ‘Durante a longa trajetória da montagem, identificamos na plateia várias pessoas que voltavam diversas vezes para curtir a peça. Com isso, fomos perguntando a algumas delas quantas vezes já tinham assistido ao trabalho. Uns diziam, 5, 7, 10, 12 e até um que afirmou ter visto 17 vezes. Um outro fato curioso é que uma fã do trabalho, ia aos teatros várias vezes e levava presentes para mim, como buquê de flores, CDs, entre outras coisas. Depois, descobri que ela estava apaixonada também pelo ator Michel, mesmo estando de vestido em cena’, se diverte o artista.

Para a apresentação de 10 anos, estará mantido o elenco original com os atores Michel Guerrero, Arnaldo Barreto e Nivaldo Mota, à exceção de Paulo Altallegre, que está à disposição da TV Globo para concluir suas cenas na próxima novela das 21h ‘A força do querer’, de Glória Perez. No lugar dele, foi convidado o experiente ator Hely Pinto. Os ingressos para a apresentação já podem ser comprados na bilheteria do Teatro Amazonas.

Mercedita

O projeto ‘Mercedita 10 anos’ prevê a venda de DVDs da peça para os fãs, uma nova temporada ainda sem data e a realização de ‘Mercedita – o filme’, com basicamente toda a equipe da peça e mais alguns convidados. A produção está na fase de captação de patrocínio e está favorável a qualquer adesão à iniciativa.

Decidi pelo filme o sentido de eternizar para as futuras gerações esta história de sucesso do teatro amazonense’, revelou Michel.

História

O espetáculo “A Herança Maldita de Mercedita de La Cruz” tem como eixo principal a decadência em que a cidade de Manaus mergulhou na transição da década de 40 para 50, em consequência do declínio econômico, provocado pela queda vertiginosa da borracha da Amazônia no mercado mundial. Momento em que todas as famílias tradicionais da cidade se mudaram para o Rio de Janeiro, em busca de dias melhores, fugindo do caos econômico e da bancarrota.

Para retratar esta época, o autor envereda pela rota ficcional e recria Manaus como Lazone, uma cidade quase fantasma que se alimenta do ódio e do desejo de vingança daqueles que permaneceram. A linguagem cômica adotada no espetáculo proporciona ao espectador momentos que se dividem entre o riso e a consciência crítica, aproximando-o, certamente, do momento histórico mais difícil da sociedade manauara e revela o longo tempo para que se superasse a crise e se encontrasse uma outra alternativa econômica para salvar Lazone.

É no marasmo dessa cidade, que antes vivera o apogeu da borracha e agora aguardava por um milagre econômico, que Mercedita de La Cruz, famosa modista de noivas, surge como testemunha de toda a decadência que se abateu sobre a cidade e transforma-se na principal vítima do ódio e da vingança de sua própria família. A proposta da encenação é aproveitar a atmosfera dos anos cinquenta do pós-guerra, onde surgem várias linguagens, como o “absurdo”, por exemplo, seguindo o veio da comédia contemporânea, pinçando células de suas vertentes para imprimir uma característica cabocla, afinal, é a sociedade manauara que está no foco da discussão do espetáculo.

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