Dia a dia

Mensagens virais nas redes sociais aterrorizam e podem provocar o caos

Mensagens como esta amedrontaram os moradores – Reprodução

Persuadir e amedrontar as pessoas por meio de mensagens no WhatsApp e nas redes sociais já virou rotina na vida das pessoas. Quantas vezes você já viu pessoas de sua confiança compartilhando a mesma mensagem, seja de roubos, sequestros e mortes, que você já havia recebido há algum tempo? Nesta segunda-feira (17), moradores do bairro Mutirão, na Zona Norte da cidade, receberam inúmeras ameaças pelo aplicativo com orientações para não saírem de casa e nem abrirem o comércio.

Um “toque de recolher” impulsionado por uma falsa afirmação de que homens armados estariam preparados para realizar um novo tiroteio na região. Houve pânico, terror e correria. Todos os comerciantes abaixaram as portas e moradores se trancaram em suas casas. Até quando esse tipo de mensagem pode afetar realmente a população?

As autoridades alertam para o risco de acontecer um crime real, incentivado pela fúria e medo ocasionados pelos virais. Mas antes, é preciso que se entenda o porquê das pessoas obedecerem as ordens de uma mensagem enviada pelo aplicativo. Será que a fonte é confiável? Será que o medo faz você acreditar em tudo? É importante apurar antes de compartilhar? Esses são alguns dos questionamos que precisamos fazer para não ser vítima de compartilhamentos falsos.

Tiroteio real, oficial

Uma briga entre facções criminosas causou a morte de dois jovens e deixou outras sete pessoas feridas na noite de domingo (16), no mesmo bairro. Testemunhas afirmaram que cerca de 20 homens armados, em carros e motocicletas, chegaram em um ponto de vendas de drogas  já atirando. A “guerra do tráfico” foi o chamariz para a propagação do terror.

Após esse fato, de acordo com alguns moradores, pessoas do bairro receberam uma mensagem avisando que não era permitido que saíssem de casa ou abrissem o comércio nesta segunda. Em uma das mensagens, ignorando os órgãos de segurança pública, os supostos suspeitos mandavam o seguinte recado:

“Não saiam de casa hoje se não haverá retaliação”.

Policiais passaram o dia no bairro onde realizaram uma mega operação – Divulgação

Polícia

Segundo informações da 27ª Cicom, os policiais passaram a manhã desta segunda fazendo ronda na avenida principal do bairro, nas proximidades de uma feira. Eles negaram qualquer novo tiroteio ou tentativa de invasão na comunidade. As quase 20 viaturas foram deslocadas para o local para dar sensação de segurança e estabilidade aos moradores, que apavorados cumpriram o “toque de recolher”. Os policiais fizeram uma operação no início da tarde e entraram em becos e ruas dominados por facções criminosas. Coisa que nunca foi vista antes, relatou uma moradora que preferiu não ter o nome divulgado. Mas nada foi encontrado.

O policial plantonista da Cicom informou que as informações eram desencontradas, mas a polícia atuou na tentativa de apurar cada caso. Entretanto, hoje, se tratava de mensagens falsas com intuito de amedrontar os moradores.

“Na operação realizada durante todo o dia não encontramos nada. Foram apenas mensagens que moradores receberam pelo WhatsApp. O problema desse tipo de mensagem é que as pessoas acabam acreditando. O que aconteceu, na verdade, é que houve uma ocorrência ontem no local e os moradores ficaram crentes de que aquela mensagem era um aviso dos criminosos. Eles obedeceram por medo. Até agora estamos monitorando os lugares que denunciaram, mas nenhuma ocorrência foi registrada”, disse a autoridade policial.

Internautas comentaram o tiroteio do fim de semana nas redes sociais

O delegado geral adjunto da Polícia Civil do Amazonas,  Ivo Martins, explicou que esse tipo de situação acontece porque as pessoas estão com medo e tem a falsa sensação de insegurança. Segundo ele, é falsa porque a polícia está presente nas comunidades. Ele orienta que, quando houver esse tipo de mensagens, a pessoa ao invés de encaminhar para terceiros ou grupos, ela deve ligar e denunciar à polícia.

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“Essas mensagens servem para amedrontar a população que está com sensação de insegurança, ainda mais após um fato recente, como foi o caso do tiroteio no Mutirão. As pessoas já estavam amedrontadas e acreditaram fielmente nos compartilhamentos”, conclui o delegado.

Rebatendo o que disse o delegado adjunto, o professor e sociólogo Luiz Antônio Nascimento diz que há sim um sentimento de insegurança devido à crise na segurança pública do Estado. Crise essa que se agravou muito nos últimos anos.

O segundo aspecto sobre essa situação, segundo o sociólogo, é o uso da tecnologia como meio de comunicação, seja para o bem ou para o mal. Ele associa a atual representatividade das redes sociais com o reflexo do que foi o rádio com os gangster americanos, nos anos 80, e a TV com a divulgação dos casos envolvendo grandes facções criminosas – que dominam o tráfico do país.

“As redes sociais são meios de comunicação usados de várias formas. Podem ser uma arma em mãos erradas”

Para Luiz Antônio, o terceiro ponto é onde está a maior parte do problema. É a incapacidade da população de compreender o que é de fato notícia e o que é boato.

A mensagem falsa é velha, mas sempre é novamente compartilhada

“Em uma sociedade baseada no que sai na mídia, você percebe o grau de medo, de pavor e insegurança. Todos os dias são veiculados nos grandes veículos de comunicação casos horríveis e quando uma pessoa recebe essa mensagem no celular, ela tende a associar isso ao que viu na TV, no rádio ou no jornal.  A pessoa acha que tem um fundo de verdade e, na dúvida, prefere se prevenir do que viver na pele o papel de mais uma vítima da violência”, conclui.

Viral conhecido e que ainda é compartilhado

Quem ainda não recebeu uma mensagem aqui em Manaus com a informação de que um carro foi roubado e com um bebê dentro? Pois é, se você já ouviu falar sobre esse caso, saiba que essa notícia é falsa e já circula pelos grupos de WhatsApp há pelo menos três anos.

A mesma mensagem foi compartilhada em Goiânia, Belo Horizonte e em outras partes do Brasil, só que não há nenhum registro oficial sobre essa ocorrência.

Bruna Chagas

EM TEMPO

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