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Melo anuncia cortes na cultura e mudanças na saúde como medidas de enfrentamento à crise

O governador disse que a intenção é readequar a aplicação de recursos visando garantir a manutenção dos serviços essenciais – foto: Luis Henrique Oliveira

O governador disse que a intenção é readequar a aplicação de recursos visando garantir a manutenção dos serviços essenciais – foto: Luis Henrique Oliveira

Justificando que o Amazonas é a unidade da federação que mais sofre com a crise econômica brasileira, o governador José Melo anunciou na manhã desta sexta-feira (20) cortes consideráveis nas verbas destinadas às atividades culturais do Estado, bem como o reordenamento na forma de atendimento à saúde.

A intenção é economizar cerca de R$ 500 milhões e readequar a aplicação de recursos visando garantir a manutenção dos serviços de saúde pública, segurança, educação e outras áreas consideradas essenciais pelo governo.

Com isso, eventos tradicionais como o Festival Folclórico de Parintins, o Festival da Ciranda de Manacapuru e o Festival de Verão de Maués, por exemplo, ficarão sem boa parte dos investimentos que recebiam anteriormente. Nessa área o corte de será de R$ 35 milhões.

“Não digo isso com alegria, ao contrário, mas eu tinha de escolher entre salvar vidas e fazer acontecer estes eventos”, disse o governador em coletiva de imprensa na sede do governo, bairro da Compensa, Zona Oeste.

Além das contenções de despesas na área da cultura, o governo também vai adotar medidas que visam economizar as receitas do Estado, como a redução de veículos alugados, combustíveis, limpeza e conservação.

Ele argumentou que os altos índices de desemprego no país, juros estratosféricos e dólar descontrolado contribuíram sobremaneira para a queda na atividade industrial do Brasil, sendo a economia no Amazonas uma das mais afetadas, por ser ancorada pelas atividades do Polo Industrial de Manaus, cujos resultados só decaem.

“Infelizmente, o Amazonas é o Estado com mais prejuízos por conta da crise. E a razão é simples: nós ancoramos nossa economia no Distrito Industrial, e este produz bens de consumo duráveis não essenciais”, o que, segundo o governador, não são prioridade na vida das pessoas, que preferem gastar com outras coisas de necessidade primária.

Esse fato causou um estrago muito grande nas finanças do estado, municípios e das pessoas. “Se compararmos o último trimestre deste ano com o mesmo período de 2015, foram 60 mil empregos que saíram da atividade econômica só em Manaus. O dobro da média nacional”.

Melo afirmou ainda que o Estado deixou de arrecadar, nos quatro primeiros meses do ano, R$ 330 milhões, e que a previsão é de que, agora em maio, a queda chegue a mais de R$ 400 milhões.

Consequência
O governador frisou que uma das consequências dessa perda de poder econômico das pessoas é o aumento de demanda na rede pública de saúde por pessoas que antes eram atendidas pela rede particular. “Estamos vivendo o pior dos mundos. De um lado uma queda brutal de arrecadação e de outro uma demanda cada vez mais crescente”.

Melo frisou que, diante desse quadro, a não tomada de medidas drásticas, significaria a ‘quebra’ do Estado a partir de outubro. “Um governante responsável não pode ver a crise e não fazer nada. Nesse contexto, as medias hoje anunciadas têm o objetivo de mantar o equilíbrio no governo, mesmo que algumas feridas sejam abertas”.

Ele ressaltou que a intenção é permitir ao governo honrar seus compromissos, pois, se isso não acontece, ele quebra em cadeia todas as atividades econômicas; e ainda manter os atuais níveis de emprego na esfera do poder público.

“Precisamos manter os níveis de emprego e os ganhos, pois, quando há redução de salários, reduz-se a capacidade de consumo, provocando uma avalanche na economia. A manutenção desses empregos é o que tem evitado um desastre maior no estado, pois pela via do comércio, serviços e atividade industrial a situação é a que todos já sabem”.

Saúde
O reordenamento na saúde do Estado será feito partir de mudanças no modelo que vem sendo trabalhado desde a década de 80, principalmente no que tange à atenção básica. Entre as novidades, segundo o secretário Pedro Elias, está a concentração do atendimento de pais e filhos em um único lugar, como é o caso dos Centros de Atenção à Criança (Caics).

Outros centros especializados também sofrerão adequações. O número de Serviços de Pronto-Atendimento (SPAs), por exemplo, será reduzido pela metade, mas nenhuma porta será fechada. “Parte desses SPAs vai se tornar Unidades Básicas de Saúde (UBS), visto que a demanda nessas unidades já é neste sentido. Os demais serão realmente para urgências”, informou.

Também estão previstas reduções em contratos com empresas terceirizadas de alimentação e conservação, devendo todas estas ações resultarem numa economia de até R$ 350 milhões.

Por Yndira Assayag

Equipe EM TEMPO Online

3 Comments

3 Comments

  1. Ociney Maia

    24 de maio de 2016 at 09:10

    Isso é o que ele diz, Mas quem garante que economizar cerca de R$ 500 milhões o mesmo irá aplicar este valor como manutenção dos serviços de saúde pública, segurança, educação e outras áreas consideradas essenciais pelo governo?
    O Governador cai em contradição ao dizer que partes dos SPAs Vão se tornar Unidades Básicas de Saúde (UBS), Isso é investir na saúde pública? Sendo que as UBS’s funcionam de 2ª a 6ª feira, das 7h às 21h, e aos sábados das 7h às 17h, e se por exemplo uma pessoa que mora na zona sul, que mora bem próximo a um “UBS(antigo SPA)” chega no estado crítico precisando de atendimento urgente em plena segunda-feira no horário de 22h, vai recorrer pra onde? Vai se deslocar até a zona leste no hospital João Lúcio? E a distância? E se a pessoa não tiver veiculo próprio, vai esperar pelo SAMU que demora pencas pra chegar ao destino?
    Isso vai de mal a pior… Uns dos SPAs referência na Cidade de Manaus é o do São Raimundo e acreditem, vai se torna Uma UBS. Parabéns querido Governador. Só desejo que Deus te abençoe pois do jeito que está irá precisar de muitas bençãos, Assim como a população.

  2. alcivan

    21 de maio de 2016 at 17:06

    tem que devolvervo dinheiro que eles roubam isso sim. milhos e milhoes roubados . esses politicos safados

  3. APJr

    20 de maio de 2016 at 13:20

    Corretíssimo o governador !! A irresponsabilidade com as contas públicas, praticada pelo desgoverno PTista da ex-presidente Dilma destroçou o país, e agora não há o que se possa fazer além de apertar o cinto, pelo menos até que paguemos a conta resultante de tamanho descalabro !!

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