Dia a dia

Melhorar a iluminação pública ajuda a diminuir a criminalidade e aumenta perspectivas do turismo e comércio

A iluminação pública assume papel fundamental na qualidade de vida e segurança para as cidades - foto: divulgação

A iluminação pública assume papel fundamental na qualidade de vida e segurança para as cidades – foto: divulgação

Dando sequência à série de reportagens sobre os principais temas de Manaus que precisam ser abordados pela próxima gestão municipal, EM TEMPO aborda esta semana a iluminação pública da capital do Estado. A iluminação pública existe para gerar benefícios à sociedade. Ela aumenta a segurança pública, minimiza os impactos ambientais decorrentes de novos empreendimentos energéticos, contribui para o desenvolvimento sustentável da cidade e cria um mercado para o uso de equipamentos eficientes, além de gerar novos empregos.

Segundo Diego Morrilas, profissional de administração e eletrotécnica, “a iluminação pública é de competência da Prefeitura de Manaus, por intermédio da Casa Civil, onde possui a Unidade Gestora Municipal de Abastecimento de Energia Elétrica (UGPM Energia), que acompanha e fiscaliza os serviços operacionais da ManausLuz, empresa atualmente responsável pelo gerenciamento completo e execução do sistema de iluminação pública do município de Manaus.

Sobre a qualidade das lâmpadas utilizadas em Manaus, a luminária com a melhor eficiência luminotécnica econômica é a LED. E segundo Morillas, a capital do Amazonas é atualmente a capital brasileira com o maior volume proporcional de uso desse tipo de luminária. A Prefeitura de Manaus já instalou 27.870 lâmpadas LED na cidade. No ano passado, foram 12.428, e neste ano, até o último dia 15 de setembro, já foram instaladas 15.442. Esse volume de LEDs já contemplou 58 bairros e 948 logradouros da capital.

“O parque de iluminação pública de Manaus apresenta desde 2005 uma boa eficiência energética em relação aos padrões brasileiros, com um consumo mensal por ponto luminoso em média 10% abaixo da média brasileira, demonstrando a sensibilidade dos administradores da cidade à problemática de uma gestão sustentável”, afirma o professor Olavo Tapajós, doutor em engenharia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Conclui-se, assim, que a qualidade do material usado para iluminar a capital é satisfatória. É na distribuição dessa luz que ainda reside o que precisa ser melhorado.

Imprescindível para a segurança

A iluminação pública assume papel fundamental na qualidade de vida e segurança para as cidades, em virtude do crescimento da urbanização e dos problemas gerados por esse crescimento.

Atualmente, a falta de iluminação pública nas ruas contribui bastante para a prática de crimes porque deixa vulneráveis os cidadãos, que, geralmente, em razão do trabalho ou estudo, acabam transitando à noite nas ruas. “As áreas urbanas que melhoram a iluminação perceberam o aumento da segurança, além da contribuição para a diminuição dos índices de criminalidade”, afirma Olavo Tapajós.

A necessidade de melhorias nesse serviço também é defendida por setores de segurança do Estado, especialmente na periferia. “Sem dúvida, a maior deficiência nesta área são as invasões  e os bairros novos que surgiram de invasões de forma desordenada e sem planejamento. Esses se concentram mais nas zonas Norte e Leste, onde, não por acaso, a criminalidade é maior”, afirma o secretário estadual de segurança, Sérgio Fontes.

“A iluminação pública é elemento extremamente relevante porque permite um patrulhamento mais eficiente e efetivo,  permite ao cidadão visualizar o perigo com a antecedência necessária, permite a instalação de câmeras de monitoramento, enfim, traz cidadania onde a mesma é falha com a escuridão”, afima Fontes.

“Quem procura fazer algo de errado não quer ser visto. Por isso, a boa iluminação é uma grande inimiga do crime. Isso está provado mundialmente”, explica Isac Roizenblatt, diretor técnico da Associação Brasileira da Indústria de Iluminação (Abilux) em entrevista ao site da instituição.

A ponte sobre o rio Negro, localizada na Zona Oeste, que está com a iluminação desativada desde o início do ano, deve permanecer no escuro, ainda por tempo intermediando, durante o período da noite. Isso porque órgãos responsáveis pelo sistema de iluminação cênica, náutica e de pista não conseguem divulgar uma previsão de quando o problema será resolvido.

De acordo com o coordenador da UGPM Energia, Rafael Assayag, como a área de construção transcende o município de Manaus, tanto a sua operação e manutenção são de competência total e exclusiva do governo do Estado.

O local vem sendo motivo de diversas reclamações dos condutores e pedestres que circulam pela ponte sobre o rio Negro, em relação à falta de segurança. A escuridão vem facilitando ações criminosas no local, segundo relatos de populares.

Implantar método sustentável

Ao utilizar materiais como lâmpadas e metal, é preciso estar atento ao descarte do material que não será mais utilizado. Melhor ainda se ele puder ser reaproveitado. Olavo Tapajós, doutor em engenharia pela UFRJ, avalia que há espaço para melhoria desses aspectos na implantação de projetos de iluminação pública, como a reciclagem de todas as lâmpadas retiradas do parque e recuperação de equipamentos (luminárias), além de utilizar pontos de luz movidos à energia solar. “É importante focar na eficiência energética, com ênfase na sustentabilidade, proporcionando o melhor consumo de energia, com redução de custos operacionais, além de minimizar o acúmulo desnecessário desses insumos”, pondera.

De acordo com o engenheiro, em 2009, a Prefeitura de Manaus já tinha decidido adotar a implantação da tecnologia LED (Diodos Emissores de Luz) e energia solar. No entanto, apenas a utilização de lâmpadas de LED tem sido mantida pela atual administração. De acordo com a Eletrobrás, as luminárias a LED têm estimativa de vida útil maior que 12 anos devido a não emitirem UV e não atrair insetos, sendo sua depreciação menor que das luminárias tradicionais.

Custos

Segundo Olavo Tapajós, a atual prefeitura acerta ao fazer a troca nas lâmpadas. Isso porque o custo do investimento inicial para a implantação de um sistema com luminárias tradicionais e LEDs, havendo reinvestimento ao fim de cada período de vida útil das luminárias, fica calculado entre de R$ 31,12 e R$ 179,82 milhões para cada, respectivamente.

Apesar de parecer alto, o investimento vale. “O sistema tradicional consome 194% mais energia elétrica que o sistema de LED. No fim do período de 12 anos, o custo do sistema LED fica 6,02% abaixo do custo do sistema tradicional”, afirma.

Por Fred Santana

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