Dia a dia

Médicos do AM temem por prejuízos na saúde, mas negam intenção de greve, por enquanto

A redução do orçamento nas secretarias estaduais deve afetar, e muito, quem depende de atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O corte de 10% nos serviços de saúde pública, anunciados pelo governador José Melo, representam 10 mil atendimentos a menos só na capital, alertam o Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam). Mesmo assim a categoria nega qualquer tipo de paralisação ou greve para os próximos dias.

O presidente do Simeam, Mário Viana, pontuou que cerca de cinco plantões serão reduzidos para os pacientes que procuram os hospitais, e que com o aumento de usuários dos serviços, isso só piora a cada dia, visto que urgência e emergência terão menos médicos para o atendimento da população.

Viana disse ainda que a cooperativa médica tem calculado que, com o desemprego crescente no Polo Industrial de Manaus (PIM), cerca de 120 mil dependentes de planos de saúde privados têm sido direcionados para o SUS.
“A demanda só está aumentando, e o que o governador está fazendo é uma afronta aos artigos 196 e 197 da Constituição Federal, que declara que saúde é um direito de todos e um dever do Estado”, disse Viana, acrescentando que não está satisfeito com a atuação de José Melo.

“Depositamos nele (o governador) nossa confiança, e lhe demos todo o nosso apoio, porém, ele sequer nos dá uma resposta positiva”, desabafou Viana ao relatar que, desde as eleições, tem procurado se reunir com o José Melo (Pros) sem sucesso, e que já foram apresentadas sete reiterações de pedido para uma conversa com os representantes da categoria, onde as propostas e sugestões seriam passadas para um possível acordo.

“O governador acredita que 10% nos cortes não é muito, porém, somente nos Centros de Atenção Integral à Criança (Caic), quatro mil consultas pediátricas serão suspensas, e com a saída dos ortopedistas no Serviços de Pronto Atendimentos (SPAs), os Pronto Socorros ficam super lotados”, ressaltou o presidente do Simeam.

Ainda conforme Mário Viana, os SPA Danilo Correa, na Zona Norte, e Gilberto Mestrinho, na Zona Sul, que possuíam cardiologistas, neurologistas, dermatologistas e gastrenterologistas não possuem mais esses profissionais.
“A minha esperança é que o novo secretário de Estado da Saúde, Pedro Elias, possa intervir em nome da classe, visto que ele conhece as necessidades na prática”, concluiu, dizendo que não há em mente nenhuma intenção de greve, ainda, e sim de negociação.

Por Conceição Melquíades

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