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Mata que se regenera é arma contra aquecimento global, diz estudo

Trata-se de um excelente argumento para valorizar as capoeiras, como são conhecidas no Brasil essas matas em fase de autorreconstrução - foto: divulgação

Trata-se de um excelente argumento para valorizar as capoeiras, como são conhecidas no Brasil essas matas em fase de autorreconstrução – foto: divulgação

As florestas do Brasil e de outros países tropicais das Américas são bem mais duronas do que sonham os usuários de motosserras, revela uma equipe internacional de cientistas num estudo que acaba de ser publicado. Em áreas abandonadas após o desmatamento e o uso agropecuário, a mata costuma voltar com tudo, sugando CO2 (principal gás causador do aquecimento global) num ritmo 11 vezes superior ao de uma floresta que nunca tenha sido derrubada.

Trata-se de um excelente argumento para valorizar as capoeiras, como são conhecidas no Brasil essas matas em fase de autorreconstrução. Para ajudar no esforço global contra as mudanças climáticas, um caminho simples e barato seria simplesmente permitir que tais florestas embrionárias se regenerassem naturalmente em áreas degradadas – além, é claro, de evitar mais desmatamento.

“Vários pesquisadores já falavam da vitalidade das capoeiras, e é algo que víamos em estudos isolados faz tempo”, declarou à reportagem uma das coautoras do estudo, Ima Célia Vieira, do Museu Paraense Emilio Goeldi. “Agora, nós demonstramos isso com uma análise macro de todo o Neotrópico [termo que designa o conjunto das áreas tropicais do continente americano].”

A pesquisa foi publicada na prestigiosa revista científica “Nature”. Os resultados analisados vieram de 45 regiões das Américas, do México à Bolívia, incluindo vários locais na Amazônia e na mata atlântica brasileiras.

Após 20 anos de crescimento, as chamadas florestas secundárias (ou seja, que se regeneram após o desmatamento) já alcançavam as taxas elevadíssimas de absorção de gás carbônico mencionadas acima. Só após quase 70 anos de crescimento, no entanto, é que elas atingiam uma biomassa (total de matéria viva vegetal) equivalente a 90% de uma floresta primária (ou seja, “madura”, que ficou séculos ou milênios sem ser derrubada).

A variável mais importante para a recuperação das capoeiras parece ser a disponibilidade de água, principal “combustível” para a consolidação da floresta. Portanto, em regiões mais secas, é preciso um cuidado redobrado com a vegetação nativa, já que ela terá mais dificuldade para se recuperar.

Por Folhapress

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