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Massacre em igreja nos EUA talvez não foi racismo, diz irmão de Bush

“Eu não sei se houve motivação racial [na chacina] em Charleston”, declarou Jeb Bush, ex-governador da Flórida que quer ser o candidato do Partido Republicano à sucessão de Barack Obama em 2016.

“Não sei o que havia na cabeça dele. Só sei o que havia no coração das vítimas”, disse Jeb, que participava de um comício em Washington, depois de cancelar uma viagem a Charleston por causa do assassinato de nove negros por um homem branco em uma uma igreja afro-americana dessa cidade na Carolina do Sul.

Em menos de 24 horas, a tragédia virou assunto dos dois lados na campanha eleitoral americana, constrangendo principalmente os candidatos da oposição republicana a achar uma resposta que não os distancie do eleitorado mais conservador .

“Esse acidente foi causado por drogas”, disse o ex-governador do Texas, Rick Perry, também presidenciável.

“Sempre tem gente perseguindo os cristãos”, afirmou na TV o senador pela Carolina do Sul Lindsey Graham, também pré-candidato.

Lideranças conservadoras, especialmente nas rádios e na rede de TV Fox News, têm repetido que o racismo no país acabou após a eleição de Barack Obama, e defendem veementemente o direito ao porte de armas, assegurado na Constituição.

Na 5ª feira (18), Obama lembrou a “história sombria” da segregação racial do país, mas também culpou pelo massacre a facilidade com que se adquirem armas nos EUA. “Outros países avançados não têm tantas chacinas como esta”, afirmou.

A favorita entre os pré-candidatos democratas, Hillary Clinton, não falou diretamente sobre a venda de armas, mas afirmou que é necessária “uma discussão franca neste país sobre racismo, ódio, armas”.

Em um encontro com políticos hispânicos em Las Vegas, Hillary disse que os EUA têm “que achar respostas contra a violência produzida por armas de fogo”.

O texano Perry, que sugeriu que o assassino confesso usava drogas, disse que esse assunto está sendo “explorado” pelos democratas. “Este governo faz isso cada vez que acontece um acidente desses. Este presidente não gosta que os americanos tenham o direito de portar armas, ele usa toda oportunidade para reafirmar essa mensagem.”

Questionado se ele achava que foi um crime de ódio, retrucou que “não dá para falar que é crime de ódio, temos que saber dos detalhes”.

A governadora da Carolina do Sul, a republicana Nikki Haley, eleita em 2010 no auge do movimento ultraconservador Tea Party, mas que tem moderado suas posições nos últimos anos, admitiu que se trata de um “crime de ódio” e pediu pena de morte ao responsável. Mas se negou a falar do tema de armas.

“Sempre querem culpar alguma coisa. Eu prefiro focar apenas em uma pessoa”, acrescentou, referindo-se ao suspeito do assassinato, Dylann Roof.

Por Folhapress

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