Holofotes

Marco Nanini volta às novelas após 17 anos

Marco Nanini deixou Lineu para trás. E, para não restar dúvidas de que o ator, daqui em diante, não tem mais nada a ver com o patriarca dos Silva -que interpretou ao longo de 14 anos em “A Grande Família”–, ele volta à TV em um personagem cujo grande desafio é se disfarçar.

A partir de segunda (18), Nanini aparece em “Êta Mundo Bom” (Globo) como Pancrácio, um filósofo desempregado que, para descolar seus trocados, pede esmola se passando ora por mendigo, ora por uma senhorinha indefesa, ora por um pracinha sobrevivente da Segunda Guerra.

“Justamente por ser um papel só [na TV, o do Lineu], eu precisava exercitar mais”, diz Nanini. “Não deixei de fazer teatro em nenhum ano desses todos que eu passei em ‘A Grande Família’. Só que , agora, tem uma coisa completamente diferente.”

Dois anos depois do fim do seriado, o ator conta que ficou uma “saudade, sem melancolia”. “A gente não queria que ‘A Grande Família’ acabasse. Caprichamos e cuidamos bem do final, planejado dois ou três anos antes. Terminou numa boa.”

“Êta Mundo Bom”, de Walcyr Carrasco, também será a primeira novela de Nanini desde “Andando nas Nuvens” (1999).

“Não estou estranhando, não”, responde quando questionado sobre a readequação do ritmo de trabalho que a produção de uma novela demanda, com gravações diárias.

O trabalho maior, ele conta, é mesmo fazer Pancrácio atuar, o que exige dedicação exclusiva de Nanini a essas cenas. Nas gravações em que o filósofo precisa se disfarçar de senhorinha, por exemplo, ele tira a diária apenas para a caracterização e preparação dos tipos dentro de seu personagem.

Para isso, conta com a ajuda da figurinista Deise Teixeira, a mesma que trabalhou na transformação do visual de Grazi Massafera de top model em dependente de crack em “Verdades Secretas” (2015).

A cara de pau do personagem, “um ator frustrado”, é tamanha que consegue enganar os paulistanos dos anos 1940, época em que a trama é ambientada, disfarçado como uma grávida de 60 anos.

“Ele perde um pouco a noção”, brinca o intérprete. “Faz esses tipos acreditando neles. Quando não dá certo, fica muito deprimido. E aí segue a frase que criou: ‘Quando acontece alguma coisa de ruim na vida da gente, é para melhorar depois’.”

A pensata acaba se tornando o lema de Candinho (Sergio Guizé), caipira em busca da mãe ricaça (Eliane Giardini). Candinho protagoniza “Êta Mundo Bom” e vê no filósofo-farsante uma espécie de mentor.
MOCINHOS
Só que, nessa novela de Walcyr Carrasco, não tem confusão: mocinho é mocinho, vilão é vilão e o personagem de Nanini, mesmo com tantos disfarces, está do lado bom da força.
“Ele é um filósofo, né? Acha que não está enganando as pessoas simplesmente, mas as ajudando a se sentir melhor por ter feito o bem.”

Na contramão das séries de TV contemporânea, em que os personagens tendem a ter caráter e ética difusos, o que “Êta Mundo Bom” propõe é um “novelão, como era antigamente”. “Há o caipira que chega na cidade, o salafrário que dá golpes. Tem muito sabor, muito humor. Não é melosa, não. As tramas são muito interessantes”, garante.

O otimismo e a simplicidade da novela de época, para Marco Nanini, vêm como um alívio à toada do noticiário de nossos tempos. “Veio em um bom momento. Há mais de um ano que a gente abre o jornal e só vem coisa ruim, só tem bomba aqui no Brasil -e, às vezes, literalmente, em outras partes do mundo.”

Por Folhapress

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