Eleições 2016

Marcelo Ramos quer colocar a prefeitura de Manaus no ‘século 21’

Marcelo Ramos pleiteia prefeitura de Manaus, nas eleições 2016 - foto: Márcio Melo

Marcelo Ramos pleiteia prefeitura de Manaus, nas eleições 2016 – foto: Márcio Melo

Aos 43 anos de idade, o advogado Marcelo Ramos acredita que está na hora de escrever sua história no Poder Executivo. Com dois mandatos de vereador e um de deputado estadual, ele agora mira na administração pública. Já foi candidato a governador nas eleições de 2014, sendo responsável por forçar um segundo turno histórico nas eleições para governo. Não levou o pleito, mas se firmou como político em ascensão e saiu fortalecido da eleição.

Nos últimos 2 anos, ele aproveitou para articular sua candidatura, fortalecer as alianças e organizar propostas num plano de governo para a cidade de Manaus. Trocou de partido e, depois de muitas especulações e negociações, escolheu o Partido da República (PR), que tem como expoente máximo o deputado federal Alfredo Nascimento.

Oriundo do PCdoB, seu primeiro partido político, Ramos passou pelo PSB e, agora, candidato a prefeito pelo PR, atraiu alianças de políticos que outrora eram seus adversários. Mas, ele justifica que a aliança com o senador Omar Aziz (PSD) foi totalmente republicana.

EM TEMPO – A aliança entre o seu partido e o senador Omar Aziz causou uma reviravolta na campanha eleitoral. Como se construiu esse diálogo?
MARCELO RAMOS – Foi um diálogo absolutamente republicano e fraterno, pautado no plano de governo. Nós o apresentamos para o senador Omar e ele entendeu – com as mudanças que havia ocorrido, diante da aliança firmada no outro campo da disputa – que o melhor caminho era realmente acreditar nesse projeto de uma mudança segura e transformadora. Eu já tenho uma boa conversação com ele desde quando eu era deputado de oposição, e isso foi apenas um encontro absolutamente natural, que a população consegue entender. Se você perceber, obviamente, nós chegamos ao consenso de que era preciso confirmar essa aliança por meio de um vice indicado por eles. Mas, fora isso, não abrimos a nossa chapa de vereador. Não mudamos uma linha do que nós tínhamos como princípio orientador da nossa campanha. Seguimos tendo o comando da campanha e contando com o entusiasmo e desempenho do senador Omar, deputado federal Pauderney Avelino e da ex-primeira-dama Nejmi Aziz. Gente que legitima e credencia nossa candidatura, que já tinha força com o deputado federal Alfredo Nascimento.

EM TEMPO – E com essa parceria também vieram propostas dos novos aliados ao seu plano de governo?
MR – Nós fizemos algumas alterações no nosso plano de governo, fruto de sugestões do senador. A principal dela é relacionada à área de segurança, como o projeto Cidade Segura, que foi incorporado por toda uma experiência que Omar tem e os quadros que o circundam, relacionados ao programa Ronda no Bairro. Então, você pegar aquela ideia de polícia e conselhos comunitários de segurança, de criar uma cultura da paz, inclusive, criando um grupo chamado Mulheres da Paz, para mediar pequenos conflitos, evitando que se judicializem, desafogando, assim, o nosso aparelho de segurança pública.

EM TEMPO – Como se deu internamente essa troca da candidatura a vice do jornalista Wilson Lima para a do deputado Josué Neto? Essa mudança pode trazer impacto negativo a sua candidatura entre os eleitores?
MR – Nós concluímos que esse encontro não podia ser apenas artificial, ele precisava ser verdadeiro, pressupondo uma ocupação de espaço legítimo, por quem compõe a aliança. Foi algo natural, e o meu amigo Wilson Lima teve uma atitude de um homem que é menos movido pela vaidade e muito mais movido pelo desejo de contribuir com o projeto. Ele mesmo entregou a função que ocupava, porque achou que era necessário para fortalecer o projeto. Tanto que ele cumpre a nossa agenda integralmente, sai todo o dia às 6h junto comigo e Josué Neto. É óbvio que tem muitas pessoas que têm carinho pelo Wilson, claro que elas sentem, mas, quando elas veem ele continuando ao nosso lado, caminhando conosco, dando palavra e gesto de confiança a mim e ao Josué Neto, essas pessoas têm nos abraçado, como o Wilson tem feito.

EM TEMPO – Desde as últimas eleições que o senhor disputou, percebe-se que a interação social por meio das mídias digitais é uma de suas marcas. O senhor realmente aposta nessa ferramenta como catalisadora de votos?
MR – Sem dúvidas. Na verdade, as pessoas têm canal para ter acesso ao nosso plano de governo, para conversar comigo, e isso faz com que elas sejam partícipes de um novo processo na política da nossa cidade. O diferencial da minha campanha para as outras é que isso é também uma estratégia da minha vida pública. Eu sempre fui assim, eu não sou assim em período eleitoral, porque sempre entendi que você deve ter o máximo de instrumentos possíveis de diálogo com a população, apresentando propostas, ouvindo sugestões e críticas. Então, o diferencial é que a minha ação nas redes sociais não é artificializada pelo oportunismo eleitoral, mas, sim, presente na minha vida. Óbvio, isso muda a qualidade das minhas redes sociais. Você tem candidatos que têm 300 mil seguidores e se você analisar a quantidade de interação, a minha sai disparada, mesmo com apenas 50 mil seguidores.

EM TEMPO – Esta eleição será um divisor de águas em relação às anteriores, principalmente no que diz respeito ao tempo. Além das estratégias que já está adotando, o senhor vai focar nas reuniões setoriais?
MR – Nossa campanha terá três ações principais: as redes sociais; programas de televisão, em que vamos mais uma vez apresentar programas bonitos e inovadores, que dialoguem de forma fraterna com as pessoas; e as campanhas de rua, que são subdivididas em vários tipos, como ir para o sinal de trânsito de manhã cedo, entregar nossas propostas para as pessoas olhando olho no olho de cada cidadão. Vamos fazer caminhadas nos bairros, no fim de tarde, e nós dividiremos nossa semana em dias de reuniões, de segmentos e comunitários. Faremos na terça e quinta reuniões para falarmos com segmentos como mulheres, jovens, policiais, servidores, médicos e fisioterapeutas. Na segunda, quarta e sexta, iremos às comunidades. Temos alegria de fazer três reuniões ao mesmo tempo, porque eu vou para uma, meu vice Josué Neto vai para outra e Wilson vai em outra. Então, isso é um diferencial muito grande e significativo.

EM TEMPO – Nestes últimos meses, o senhor teve mais de 300 reuniões com populares e militâncias. Disso tudo, o que foi concluído?
MR – A primeira conclusão é que as pessoas não querem alguém que apenas diga o que elas estão sentindo. A população não aceita mais alguém que vai fazer campanha dizendo que as ruas estão esburacadas; elas sabem disso. Dizendo que os ônibus demoram muito; elas sabem que os ônibus demoram muito. Elas esperam candidatos que apresentem soluções para superação dessas dificuldades da vida da cidade, hoje. Nossa campanha não é para diagnosticar os problemas, mas, sim, mostrar que caminhos nós apontaremos para superar esta crise. Apontar o Tempo de Aprender, que vai garantir aula particular no contraturno das escolas para as crianças mais pobres. Saúde e Minha Casa, que vai devolver as estratégias de saúde para dentro das casas das famílias. Estimular a implantação de serviços em bairros como Novo Israel, onde não tem supermercados e bancos. O mundo inteiro hoje discute a ideia das Smart Cities, de cidades inteligentes que usam a inovação e tecnologia a serviço de uma aproximação entre o poder público e a sociedade. Já estamos experimentando isso na campanha e levaremos para o nosso governo, e vamos colocar a prefeitura no século 21.

EM TEMPO – O senhor já tem experiência no Legislativo, já foi vereador e deputado. O senhor se sente capacitado para administrar o Executivo?
MR – Sinto-me absolutamente preparado! Eu fui vereador e deputado e posso dizer que eu fui um bom parlamentar, respeitado pela cidade e Estado. Fui presidente da SMTU (Superintendência Municipal de Transportes Urbanos) durante nove meses e ouso dizer que fiz, nesse período, o que nenhum prefeito fez em 4 anos. Fiz licitação de táxi, recadastramento do sistema do executivo e, em nove meses, apresentamos eficiência administrativa. A principal experiência que eu tenho para exercer como Executivo é a humildade de que preciso temperar a minha juventude, ouvindo as pessoas que já viveram mais do que eu.

EM TEMPO – Que discurso o senhor vai adotar nos debates televisivos?
MR – Vou focar no discurso da campanha, que é não cair em provocação e não permitir os que querem dividir a cidade. O nosso discurso é de unir a cidade, apontando soluções para os problemas. Então, vamos manter a mesma linha, de um diálogo tranquilo e verdadeiro, apresentando as propostas para Manaus. As pessoas estão cansadas dos políticos se matando e brigando, sem mudar nada.

EM TEMPO – A sua coligação enfrenta um problema com o PPS, que resolveu retirar o apoio a sua candidatura em detrimento da de Arthur Neto, seu adversário. O caso, inclusive, já está na esfera da Judiciário. Como o senhor avalia essa situação?
MR – Não me cabe julgar questões internas do PPS, elas devem ser resolvidas por eles mesmos ou no Poder Judiciário. O que eu posso dizer é que o PPS fez uma convenção no dia 23 de junho, respeitando todas as regras estatutárias, para se juntar a minha candidatura. No dia 5 deste mês, fizeram uma outra suposta convenção sem que o edital de convocação existisse, e não pode existir uma convenção sem o edital. Isso é uma questão que não irei decidir e cabe ao Poder Judiciário resolver. Nós queremos muito o PPS do nosso lado, pela sua história linda e democrática. É um problema que eles e a Justiça devem resolver.

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