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Marcada pelo terror, França vota em pleito que pode fortalecer ultradireita

 

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Sob a sombra do ataque terrorista, os analistas afirmam que só uma grande participação pode reverter a força ultradireitista. A abstenção, porém, se apresenta como o “primeiro partido da França” -a expectativa é que mais da metade da população não irá. foto: divulgação.

Os eleitores franceses vão às urnas neste domingo (6) no primeiro turno de uma eleição regional que, se confirmadas as previsões das pesquisas, pode dar a vitória ao partido ultradireitista Frente Nacional (FN).

Uma eventual vitória da extremadireita pode redefinir os rumos políticos do país, ainda comovido pelos atentados do último dia 13 de novembro em Paris, que mataram 130 pessoas. A segurança foi reforçada em todos os centros de votação.

Os 44,6 milhões de franceses inscritos nas listas eleitorais escolhem os novos conselhos regionais no território metropolitano e ultramar.

O último teste político antes das eleições presidenciais de 2017 aponta que o partido liderado pela ultradireitista Marine Le Pen pode passar a controlar entre seis ou sete regiões já no primeiro turno. No segundo, marcado para o dia 13 de dezembro, esse número deve aumentar para 11, conforme as pesquisas.

Tanto em Nord-Pas-de-Calais Picardie, domicílio eleitoral de Le Pen, como em Provence-Alpes-Côte d’Azur, onde a principal candidata é sua sobrinha, a deputada Marion Maréchal-Le Pen, a Frente Nacional poderia obter 40% dos votos.

Mesmo uma única região já seria uma grande vitória para o partido, que nunca chegou a um cargo desses.

Sob a sombra do ataque terrorista, os analistas afirmam que só uma grande participação pode reverter a força ultradireitista. A abstenção, porém, se apresenta como o “primeiro partido da França” -a expectativa é que mais da metade da população não irá votar.

Como outros partidos anti-imigração na Europa, o FN também se beneficia da preocupação de muitos franceses com o intenso fluxo de imigrantes refugiados ao país.

O partido, como lembrou neste sábado (5) o jornal “Le Figaro”, tem crescido desde 2007, quando registrou apenas 4,9% dos votos. Em 2012, na eleição presidencial, registrou 17,9% da preferência do eleitorado. E, em março deste ano, ficou com 25,2% no pleito departamental.

O Partido Socialista, do atual presidente François Hollande, aparece nas pesquisas apenas com o terceiro lugar, atrás dos ultradireitistas e da coalizão entre Republicanos, partido do ex-presidente Nicolás Sarkozy, União dos Democratas Independentes (UDI) e o Movimento Democrático (MoDem), cuja apoio varia entre 27% e 29% nas pesquisas.

O primeiro-ministro da França, Manuel Valls, chegou a dizer que o novo pleito deve ser a “resposta da democracia à barbárie”, mas o recente crescimento da popularidade de Hollande, que subiu 20 pontos percentuais desde os ataques, não deve se refletir nas urnas.

Caso os resultados das pesquisas sejam confirmados, seria a quinta derrota dos socialistas após a chegada ao poder em 2012. Desde então, eles foram derrotados nas eleições municipais, europeias, departamentais e no pleito para escolher parte do Senado.

Para Sarkozy, que assumiu o comando de seu partido há um ano, será a oportunidade de demonstrar que superou os erros do passado. Já Le Pen chega com a intenção de impor seu partido como o primeiro da França, visando as eleições presidenciais de 2017 -caso o FN consiga ganhar um número significativo de regiões, poderá representar a primeira eleição em décadas sem a tradicional disputa entre socialistas e conservadores.

Com 13 novas grandes regiões, que após a reforma eleitoral iniciada por Hollande entrarão em vigor em janeiro, esse novo mapa administrativo pode colocar o FN perto do poder regional.

Os ultradireitistas destacaram que manterão suas listas de candidatos independentemente do que ocorrer no primeiro turno, mas os socialistas podem ser obrigados a se aliar com a direita em alguns locais, o que provocaria uma “guerra interna” nessas regiões.

A situação é de tal complexidade que o próprio secretário de Estado de Relações com o Parlamento, Jean-Marie Le Guen, admite que não pode antecipar o resultado. Os analistas concordam que também será difícil medir o “impacto” do pleito no país.

 

Por Folhapress

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