Esportes

Maratonista aquático e canoísta paralímpico treinam com atletas indígenas

O nadador revela, inclusive, que chegou a fazer uma parte do percurso à moda indígena - foto: divulgação

O nadador revela, inclusive, que chegou a fazer uma parte do percurso à moda indígena – foto: divulgação

Acostumado a nadar quilômetros em águas abertas, o maratonista aquático Allan do Carmo mergulhou na cultura dos povos indígenas. “Eu estava ali na água me sentindo como um deles”, explicou o medalhista de prata por equipes no último Mundial de Esportes Aquáticos, em Kazan, na Rússia, durante uma roda de diálogo sobre a experiência de atletas de alto rendimento na terça-feira, na Oca da Sabedoria, nos Jogos Mundiais Indígenas, em Palmas.

Depois de conseguir a classificação para os Jogos Olímpicos do ano que vem e participar de etapas dos circuitos mundial e brasileiro, Allan do Carmo aproveitou as férias para nadar lado a lado de indígenas do mundo todo, em treino no ribeirão Taquaruçu-Grande – que vai receber, a partir da próxima sexta-feira (30), as provas aquáticas dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas.

“Achei que ia encontrar alguns atletas despreparados, mas vi que muitos ali nadavam muito bem, inclusive usando uma técnica direcionada para a maratona aquática. Como eles não usam óculos, eles ficam com a cabeça fora d’água. Quando eles viram que eu nadava com a cabeça mais baixa, logo eles começaram a fazer igual. Os indígenas tem uma facilidade muito grande para aprender e são muito interessados”, elogia Allan, que também adotou a pintura corporal feita pelos indígenas.

O nadador revela, inclusive, que chegou a fazer uma parte do percurso à moda indígena: “No final, eu tirei os óculos e comecei a nadar com a cabeça para fora da água para ter a mesma sensação que eles. Vi que cansa bastante. Por isso que alguns já tinham perdido o fôlego logo no início”, disse.

Índios treinam para as competições de canoagem

O atual vice-campeão do circuito mundial ensina que a orientação é fundamental para fazer uma boa prova. “É tentar nadar em linha reta o máximo possível, porque isso ajuda a fazer um percurso menor”. E ele não duvida do empenho dos indígenas em seguir as orientações à risca. “Eles mostram muita garra e força. São pessoas guerreiras que superam a falta de técnica na vontade, na determinação. Foi importante para eu colher um pouco dessas características deles, até para levar para o dia a dia”.

Respeito através do esporte

O canoísta paralímpico Fernando Fernandes, dono de quatro campeonatos mundiais, também experimentou a rotina dos povos indígenas ao passar cinco dias em uma aldeia dos Javaés, em Tocantins. “O esporte é uma forma de unir os povos e mostrar a cultura indígena para a sociedade. Nós temos que entender o momento que os povos indígenas passam. Falta valorização”.

“Nós admiramos muito os maori [da Nova Zelândia], os havaianos, os africanos, mas fechamos os olhos para os nossos indígenas. E eles estão aqui para mostrar quem eles são por meio do físico, da raça que eles têm”. E o atleta recorre à sua própria história de vida para ilustrar as possibilidades que o esporte dá a quem pratica.

“No momento em que eu sentei nessa cadeira de rodas, fui marginalizado. Mas quando eu sento no meu caiaque, sou muito melhor do que qualquer um aqui. As pessoas aprenderam a me respeitar depois de verem tudo que eu fiz. O grande intuito do esporte é para o que você o usa”.

Por Agência Brasil

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