Dia a dia

Manifestação em Iranduba lembra memória de líder comunitária assassinada

Durante a celebração religiosa, dom Sérgio cobrou medidas para que outros casos não ocorram – foto: Ricardo Oliveira

Durante a celebração religiosa, dom Sérgio cobrou medidas para que outros casos não ocorram – foto: Ricardo Oliveira

Uma manifestação lembrou a morte da líder comunitária Maria das Dores Salvador Priante, a Dôra, 54, na tarde de ontem, em Iranduba – a 25 quilômetros de Manaus. Após a manifestação, que contou com a participação de líderes comunitários, amigos, familiares, e deputados, além do arcebispo de Manaus, dom Sérgio Eduardo Castriani, que celebrou uma missa em memória de Dôra. Conforme dom Sérgio, a morte da líder lembra vários casos de assassinatos nos campos do Brasil, ligados à questão fundiária.

“No Brasil inteiro morrem pessoas por problemas no campo. A gente nota que existe um problema e que precisa ser resolvido. A reforma agrária, a regulamentação fundiária, ações do Judiciário e do Executivo e dos poderes constituídos do Estado. Somente como uma verdadeira reforma agrária se vai resolver isso, se não vai continuar morrendo gente no campo e na cidade”, avaliou o arcebispo de Manaus. Para dom Sérgio, a morte de Dôra não deixa de mostrar a questão da visão e a fé da igreja. “Uma pessoa que morre dando a vida, como Jesus morreu, perdendo a vida, está com ele”, assegurou o religioso.

Ação

Gérson Priante, viúvo de Dôra, garantiu que o caso não ficará impune. Mesmo com a prisão dos envolvidos no crime, ele revelou que entrará com um processo contra o Estado por omissão. “Nós ainda sentimos pela morte da Dôra, o abalo e o pior, que não foi um caso isolado. São muitos casos na Grande Manaus, na periferia e nas rodovias. A questão do crescimento da violência, mas o que é pior é omissão do Estado. Vamos criar uma comissão, em nome dela, que vai levar o caso à Justiça e processar o governo por omissão e vamos juntar forças com todos os choram pelas perdas dos seus entes queridos nesse tipo de situação”, declarou o viúvo.

A líder comunitária fez várias denúncias dando conta de que estava sendo ameaçada por Adson Dias da Silva, o “Pinguelão”, à Polícia Civil e à Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam). Três Boletins de Ocorrências (BO),foram registrados. Os deputados Alessandra Câmpelo (PC do B) e José Ricardo e o vereador Valdemir José (PT) acompanharam a manifestação e disseram que irão tomar providências contra o suposto descaso do Estado.

Presidente da Comissão da Mulher na Aleamo Estado, Alessandra Campêlo, afirmou que vai acompanhar de perto o caso para que todos os envolvidos sejam punidos e que outros casos como o de Dôra não se repitam novamente. “A morte da Dôra foi premeditada, foi dita, foi falada, denunciada na Secretaria de Segurança e denunciada na delegacia. Todo mundo sabia e podia ser evitada”, garantiu. Francinete Maia, líder da Rede Girassol Maria da Penha, que atua em Iranduba, afirma que outras pessoas estão sendo ameaçadas pela mesma questão fundiária no município.

Por Stênio Urbano

Comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Subir