Dia a dia

Manaus se prepara para ficar mais arborizada

Censo 2010 do IBGE revelou que a cobertura vegetal de Manaus é de apenas 25,1% nas áreas urbanas, entretanto, o projeto Arboriza Manaus vem trabalhando para transformar a capital em uma cidade mais verde - foto: ione Moreno

Censo 2010 do IBGE revelou que a cobertura vegetal de Manaus é de apenas 25,1% nas áreas urbanas, entretanto, o projeto Arboriza Manaus vem trabalhando para transformar a capital em uma cidade mais verde – foto: ione Moreno

Conscientizar a população sobre a importância da arborização urbana e o manejo adequado quanto a sua manutenção são os principais desafios que o Plano de Arborização 2016 – Arboriza Manaus – enfrenta desde que foi posto em prática, em março deste ano. Nesses seis meses, 10 mil mudas de árvores de várias espécies já foram plantadas em 61 logradouros, entre canteiros centrais e passeios públicos. O objetivo do programa, de acordo com a diretora de Arborização e Paisagismo da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semmas), Rosimary Bianco, é tirar Manaus da lista das capitais menos arborizadas do país.


“Manaus é uma cidade que cresceu rapidamente devido às ocupações irregulares. E o que acontece quando as pessoas invadem? Elas não deixam área verde, não deixam uma área para fazer uma praça, elas constroem as casas muito próximas às ruas, as calçadas delas têm meio metro de largura e não se pode plantar nada. A recomendação de plantio para árvore em calçada é que se deixe 1,20 metro livre para o pedestre. Então, achar uma calçada com 2,40 metros é muito difícil em Manaus. E quando se acha, tem uma rede elétrica em cima, e aí dificulta também, porque você não pode plantar uma árvore grande debaixo da rede elétrica, porque vai dar conflito com essa rede e vai ter que podar. Nós temos muitas dificuldades para implantar a arborização nos passeios públicos, em Manaus. No bairro Zumbi, tem calçada de 20 centímetros. Manaus quase não tem mais área para plantar porque quase tudo está ocupado por residências”, observa Bianco.

Avaliação

O Censo 2010, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), dá conta de que Manaus é a segunda capital brasileira menos arborizada no país. A pesquisa revelou que apenas 25,1% da cidade possui cobertura vegetal nas áreas urbanas, ou seja, apenas um domicílio, em cada quatro, possui uma árvore plantada em seu entorno. Bianco ressalta que hoje a realidade da cidade mudou e que existem muito mais espaços públicos arborizados. Mas ela destaca que ainda não é o suficiente e os trabalhos de plantio de mudas devem sempre continuar.
“Naquela época, em 2010, a gente ainda não tinha o programa Arboriza, a prefeitura trabalhava com arborização, fazia o plantio, mas não havia todo esse empenho e essa vontade de reverter isso. Por isso, também, nós lançamos o programa Arboriza Manaus, para reverter esse quadro. Na pesquisa do IBGE foram computados canteiro central e passeio público, mas não foram computados quintais, as áreas de conservação, as áreas protegidas”, destaca.

Ela chama a atenção para espaços urbanos que não foram computados pela pesquisa, como o Parque Municipal do Mindu, no Parque 10 de Novembro, Zona Centro-Sul, um dos maiores parques urbanos, com 40 hectares de área protegida, conforme Rosimary. Outro espaço não considerado pelo Censo de 2010, e citado por ela, foi a Reserva Florestal Adolpho Ducke, na Cidade de Deus, Zona Norte, que detém uma área de mais de 100 hectares protegida. “Isso não foi computado na pesquisa, foram apenas ruas, e por isso a gente priorizou a arborização do plantio nos canteiros centrais, e temos procurado plantar também nos passeios públicos”, comenta.

Depredação

Mesmo com os esforços para colocar mais verde nas ruas, um grande desafio enfrentado diariamente pela prefeitura é o vandalismo contra as árvores, principalmente as recém-plantadas em canteiros centrais e meio-fio das principais vias. Conforme Rosimary Bianco, a maioria das mudas que são plantadas nas ações de arborização é destruída. As zonas Norte e Leste da cidade são as que têm o maior índice de depredação das mudas.

“Ainda existem pessoas que fazem isso, depredam, destroem e furtam as mudas que plantamos nos logradouros públicos, mas a gente vê que a população tem se conscientizado da importância e está buscando mudas para fazer seu plantio. As zonas Norte e Leste são as áreas que mais furtam e depredam. Na Zona Norte, a área da 7 de Maio foi a que mais teve problemas. Ali na Uirapuru também. Na Zona Leste, o problema foi na avenida Autaz-Mirim e Itaúba. Também tivemos registro de depredações na avenida Natan Xavier, onde sempre que plantamos uma pessoa vai lá e corta todas as nossas mudas. Na estrada da Ponta Negra e na Djalma Batista a perda das mudas ocorre durante os acidentes de trânsito”, destaca.

Para mudar essa realidade, a diretora de Arborização e Paisagismo acredita que é preciso intensificar as campanhas nas redes sociais e na mídia sobre a importância dos benefícios da arborização.

“Eu acredito que, nesse aspecto, o jornal, a TV e as redes sociais têm uma contribuição a dar para a gente no sentido de divulgar os benefícios que a arborização proporciona. Tem gente que gosta de plantar só aquelas que dão frutos, mas qualquer árvore é importante, ela promove sequestro de carbono, ventilação, diminui a temperatura e, segundo estudos, uma árvore diminui em até 5 graus a temperatura de um ambiente. Além do benefício do fruto, a árvore te dá o benefício da sombra, da ventilação, da redução da temperatura e do bem-estar psicológico, pois já há estudos na Universidade de São Paulo falando (USP) sobre o benefício às pessoas que vão ao parque contemplar a natureza. Diminui o estresse, a pressão arterial e traz equilíbrio e harmonia”, ressalta.

Por Michelle Freitas

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