Dia a dia

Nível de rios sobem e Manaus entra em situação de emergência

A Defesa Civil de Manaus construiu, até ontem, 2,9 quilômetros de pontes de madeira em áreas alagadas do Centro e elevou o assoalho de casas, em uma ação conhecida como maromba - foto: Alberto César Araújo

A Defesa Civil de Manaus construiu, até ontem, 2,9 quilômetros de pontes de madeira em áreas alagadas do Centro e elevou o assoalho de casas, em uma ação conhecida como maromba – foto: Alberto César Araújo

O rio Negro ultrapassou a cota de emergência (28,97 metros) em Manaus e ontem estava com 29,01 metros. O nível da água sobe, em média, cinco centímetros por dia, o suficiente para a cidade decretar situação de emergência nos próximos 180 dias.

A Defesa Civil de Manaus construiu, até ontem, 2,9 quilômetros de pontes de madeira em áreas alagadas e elevou o assoalho de casas, em uma ação conhecida como maromba. O órgão também ampliou outras em pontos que tradicionalmente alagam.

A enchente anual dos rios amazônicos deixou outras 24 cidades do Amazonas em situação de emergência. O município com o pior cenário é Boca do Acre (1.028 quilômetros da capital), que já decretou calamidade pública.

Benefício

Apesar da cota de emergência estar ultrapassada, a Prefeitura de Manaus ainda não divulgou quando vai entregar um auxílio em dinheiro, chamado de cheque-cheia, e tomar outras providências pertinentes. O benefício é esperado principalmente por moradores de regiões alagáveis na orla da cidade e por quem vive em palafitas, sobre igarapés.

Funcionários da Defesa Civil ainda contabilizam quantas famílias estão afetadas pela subida do rio. Até amanhã (22), o levantamento deve ser concluído. Só então, a prefeitura deve enviar o decreto de situação de emergência ao Diário Oficial do Município.

Os bairros mais atingidos pela subida do nível do rio, até o momento, são Mauazinho, Educandos, São Jorge, Raiz, Presidente Vargas, Aparecida, Santo Antônio e Betânia. Nestas áreas foram construídos quase três quilômetros de pontes de madeira para evitar o isolamento da população.

Ajuda do governo chegou a R$ 30 milhões

Em situação parecida está a cidade de Anamã (161 quilômetros), no Baixo Solimões, que teve decretada situação de emergência, mas ainda aguarda homologação do governo estadual. O reconhecimento do Executivo estadual é importante para a prefeitura receber dinheiro e socorrer a população.

Desde o início da enchente no Amazonas, mais de 30 mil famílias receberam cerca de R$ 30 milhões, segundo a Defesa Civil do Estado. Deste valor, R$ 2 milhões foram repassados diretamente às prefeituras das cidades mais afetadas.

A enchente do rio Negro neste ano deve chegar a 29,62 metros, conforme previsão do Serviço Geológico do Brasil (CPRM). No ano passado, a cota de emergência foi alcançada em 21 de maio. Esta cota serve como parâmetro para guiar o poder público a ações preventivas e corretivas durante a cheia.

As famílias cujas casas foram alagadas recebem ajuda humanitária com dormitório, água potável, hipoclorito de sódio, alimentos, produtos de higiene e purificadores de água.

A situação da enchente do Amazonas chamou atenção do ministro da integração nacional Gilberto Occhi. No início de março ele visitou Eirunepé, na calha do rio Juruá, para conhecer as principais demandas das cidades afetadas na região.

Apesar da visita do ministro e de metade das cidades do Estado sofrer os efeitos da cheia dos rios, somente nove cidades recebem ajuda financeira e material do governo federal até agora.

 

Por Rafael Nobre Jornal EM TEMPO

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