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Manaus lidera o ranking da inadimplência do país

Enquanto amazonenses reconhecem dívidas atrasadas por conta do desemprego e dos ajustes de preços de produtos essenciais no dia-a-dia, outros buscam evitar gastos com cartão de crédito para não acumular dívidas - foto: Diego Janatã

Enquanto amazonenses reconhecem dívidas atrasadas por conta do desemprego e dos ajustes de preços de produtos essenciais no dia-a-dia, outros buscam evitar gastos com cartão de crédito para não acumular dívidas – foto: Diego Janatã

A funcionária pública Maria Adelaide dos Santos, 46, tem conseguido manter pelo menos 80% das suas contas do mês em dias, segundo ela. Os seus outros 20% dos boletos que atrasam, num período médio de quinze dias ou mais, entram para as estatísticas que colocam a cidade de Manaus como a capital brasileira com o maior percentual de inadimplência do país. A cidade lidera o ranking com índice de 38,1%, seguida de Porto Velho (37,3%) e Macapá (36,4%).

A capital amazonense tem ainda sexto pior índice de desemprego do país, com 11,1%, e o décimo menor rendimento, com ganho médio de R$ 2.020. Os números saíram com base no cruzamento de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de outubro a dezembro de 2015, com índices de inadimplência da Serasa Experian.

“Lá em casa nós conseguíamos pagar todas as contas em dia, até a metade do ano passado. Mas, os produtos do dia-a-dia, nos supermercados começaram a ficar mais caros e, para completar, recentemente o meu filho perdeu o emprego e ficou mais difícil não atrasar”, disse a funcionária pública, que mora no bairro Compensa, Zona Oeste. Ela contou que está fazendo um esforço para eliminar os boletos do cartão de crédito para seguir apenas com as contas básicas, até que o filho volte a trabalhar.

O vigilante Manoel Almeida de Oliveira, 57, disse que apesar das dificuldades ele consegue pagar as contas essências como água, luz e telefone até o vencimento. Para não atrasar ele procura sempre adiantar uma reserva do seu salário de um mês para o outro, além de evitar fazer compras em cartão. “Parei de comprar em cartão de crédito há muito tempo. Todo mês era um inferno porque é difícil se segurar quando se tem um cartão disponível”, observou.

Para o economista Manoel Aires Ribeiro, a alta taxa de desemprego, causado principalmente pela baixa produtividade do Polo Industrial de Manaus (PIM), é o principal impulsionador da inadimplência na cidade. De acordo com ele, com o desemprego e a renda menor, a capacidade de lidar com as dívidas é diretamente prejudicada. “Sem o poder de compra, que está com contas acumuladas vai ter que atrasar. Para se livrar das dívidas, somente com muita paciência”, observou.

Segundo os economistas da Serasa Experian, o crescimento do desemprego e a menor renda reduzem a capacidade de pagamento dos consumidores. Dado que a inflação corrói o rendimento e o desemprego o destrói, o atual ambiente econômico marcado por inflação elevada e desemprego crescente forma uma combinação que pressiona os níveis de inadimplemento.

Por Emerson Quaresma

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