Economia

Manaus está entre as dez cidades brasileiras com maior percentual de inadimplência, diz Serasa

Inadimplência já atinge 38,1% da população da capital amazonense, que sente os reflexos das demissões no polo industrial – foto: Ricardo Oliveira

Inadimplência já atinge 38,1% da população da capital amazonense, que sente os reflexos das demissões no polo industrial – foto: Ricardo Oliveira

Manaus é uma das dez cidades brasileiras com os maiores percentuais de inadimplência, conforme dados da Serasa Experian. Levantamento do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) mostra que, com a crise econômica que chegou forte na casa dos brasileiros, quase metade dos inadimplentes (46,5%) não tem condições de pagar suas dívidas em atraso nos próximos três meses.

No Amazonas, a alta taxa de desemprego, causada pela baixa produtividade do Polo Industrial de Manaus (PIM), é o principal impulsionador da inadimplência, segundo avaliação do economista Manoel Aires Ribeiro. Ele observa que, com o desemprego e a renda menor, a capacidade de lidar com as dívidas é diretamente prejudicada. “Sem o poder de compra, que está com contas acumuladas, vai ter que atrasar. Para se livrar das dívidas, somente com muita paciência”, observou.

Conforme a pesquisa, seis em cada dez entrevistados (61,2%) no estudo “Perfil do Inadimplente Brasileiro” acreditam que a situação financeira piorou na comparação com o ano passado, seja em razão do endividamento (24,4%), porque estão desempregados (16,4%) ou pelo fato da renda ter diminuído (20,4%).

O levantamento mostra que, na comparação com 2015, o valor médio total das pendências diminuiu 33,9%, chegando a R$ 3.543,60 – entre os entrevistados das classes A e B e com idade entre 35 e 64 anos a dívida é ainda maior, de R$ 5.633,95 e R$ 4.176,29, respectivamente. Porém, a diminuição do valor total da dívida dos inadimplentes não é um reflexo de uma possível melhora na capacidade de pagamento desses consumidores.

Quando indagados sobre os principais motivos para deixar de pagar as contas atrasadas, percebe-se que a perda do emprego ainda é o fator de maior impacto, para 28,2% dos entrevistados (33,3% em 2015). Em seguida, são mencionados a diminuição da renda (14,8%, contra 10,5% em 2015), a falta de controle financeiro e de planejamento no orçamento (9,6%, contra 21,0% em 2015) e o empréstimo do nome para compras feitas por terceiros (9,3%, aumentando para 30,0% entre os mais velhos e 9,9% nas classes C, D e E).

Segundo a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, mesmo que o desemprego e a queda de renda sejam acontecimentos alheios à própria vontade, ao quais todos estão expostos sobretudo quando o país se encontra em crise, o consumidor deve estar prevenido e contar com uma reserva financeira emergencial para manter as despesas sob controle.

“Naturalmente, as pessoas que não costumam constituir reserva financeira para imprevistos vão sofrer mais com a perda do emprego. Vale lembrar que não importa o tamanho da renda, o importante é saber guardar uma parte todos os meses, pois essa atitude pode fazer a diferença nas horas difíceis”, alerta Kawauti.

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