Opinião

Manaus e seu descaso pelo plantio de árvores

Havia muito que se sabia, mas saber, às vezes, costuma criar situações incômodas, culpas e arrependimentos, então é melhor dar a volta por cima. Desta vez não é mais possível fugir à realidade: Manaus disputa com a Belém o título pouco honroso de ser a cidade com o menor percentual de arborização urbana entre 15 cidades brasileiras com mais de 1 milhão de habitantes. O estudo, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi realizado em 96,9% dos domicílios urbanos durante a pré-coleta do Censo 2010, com o objetivo de conhecer a infraestrutura urbana brasileira.


Manaus perde para Belém e o que poderia ser bom para a capital amazonense apenas enfatiza a situação vexatória, pois está situada mais no interior da última floresta do planeta do que a sua “rival”. Segundo o IBGE, Belém registrou o menor percentual entre os 15 municípios citados, com 22,4% do entorno dos domicílios com alguma árvore ao redor, em área pública. Em segundo, aparece Manaus, com 25,1%. O estudo não contou as árvores dentro das residências ou áreas particulares. Quer dizer, até quando “ganha” de Belém, Manaus perde.
O cuidado paraense com suas tradições, sua história e o sentido de pertencimento que os faz parecer, muitas vezes, bairristas, são condições que o mais ranzinza dos amazonenses já admite como virtudes que fazem uma grande diferença. Não se pode recusar, também, que a capital do Amazonas confunde a cada dia crescimento com desenvolvimento e a palavra sustentável soa mais como um recurso abstrato de retórica do que uma intencionalidade concreta de tratar o assunto de ocupação racionald dos espaços.

O estudo do IBGE tem o cuidado de alertar que considera apenas as árvores presentes na frente dos domicílios. Por esse motivo, segundo os pesquisadores, um percentual baixo não significa necessariamente que uma área não tem árvores, mas que elas podem estar concentradas em regiões específicas. Mas são palavras que não consolam. Manaus é uma ilha de calor no meio da Amazônia brasileira. Isto não é orgulho para ninguém.

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