Sem categoria

Manaus e mais sete municípios entram em estado de emergência no combate ao Aedes aegypti

Aproximadamente 34 dos 62 municípios que compõem o Amazonas têm a presença do mosquito Aedes aegypti- foto: divulgação/Alex Pazuello

Aproximadamente 34 dos 62 municípios que compõem o Amazonas têm a presença do mosquito Aedes aegypti- fotos: divulgação/Alex Pazuello

Manaus e mais sete municípios do Amazonas entram em Estado de Emergência Preventivo no combate ao mosquito Aedes aegypti – responsável por transmitir a dengue, a febre chikungunya e o zika vírus, esse último relacionado ao surto de microcefalia no Nordeste do Brasil, conforme confirmação do Ministério da Saúde. O plano de ação conjunta foi divulgado nesta quarta-feira (2) pelo prefeito de Manaus, Arthur Neto, e o governador do Estado, José Melo, além de técnicos da área da saúde, na sede do governo, localizado na avenida Brasil, Zona Oeste da capital. A ação é para evitar que uma epidemia, sobretudo do zika vírus, se manifeste na região.


“Estamos buscando uma interação para, assim como vencemos a cólera, ainda em meados dos anos 90, também vencermos o Aedes aegypti, eliminando a possibilidade de um aumento significativo nos casos de microcefalia”, destacou o prefeito, “O nosso entrosamento com o governo é perfeito e não tenho dúvidas que teremos total ajuda do governo federal e das Forças Armadas”, completou.

De acordo com o governador José Melo, recursos da ordem dos R$ 9 milhões serão repassados pela União aos governos estadual e municipal para o fortalecimento das ações contra o mosquito transmissor. “Esse será um trabalho muito parecido com o que os pais fazem para educar seus filhos, envolvendo a participação efetiva das famílias e com políticas públicas direcionadas para ajudar no processo. É dessa mesma maneira, com cada um fazendo seu papel, que vamos conseguir vencer o mosquito”, apontou. “Todos devem fiscalizar e não deixar água parada em suas residências”, alertou Melo.

A microcefalia já atingiu 1,5 mil crianças no Brasil

A microcefalia já atingiu 1,5 mil crianças no Brasil

Dados da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS) revelaram que este foi o ano em que houve o maior surto de dengue no Brasil, com aumento 176% dos casos, em relação a 2014, resultando em 811 óbitos. Entretanto, no Amazonas foi registrada uma redução de 36,7% no número de casos e 75% menos óbitos relacionados à doença.
Já a febre chikungunya, que se introduziu no país no ano passado, apresenta 152 casos notificados no Amazonas, sendo confirmados apenas 12 e outros 65 estão em investigação. Enquanto o zika vírus, que já está presente em 19 estados brasileiros, no Amazonas apresenta oito casos notificados, com um confirmado.
“A nossa maior preocupação é porque o zika se manifesta quase que assintomaticamente ou de forma bem suave por meio de febre baixa, conjuntivite, uma certa dor articular e, o que mais chama atenção, com manchas avermelhadas pelo corpo”, descreveu o diretor presidente da FVS, doutor Bernardino Albuquerque.

Ainda segundo o especialista, a microcefalia já atingiu 1,5 mil crianças no Brasil, manifestando-se com uma dimensão inferior do cérebro e podendo levar à morte ou perdas significativas da capacidade cognitiva e do desenvolvimento da criança.

“Criamos algumas estratégias de monitoramento da microcefalia, instalando unidades sentinelas no Hospital Pronto-Socorro 28 de Agosto, Fundação de Medicina Tropical, Hospital da Criança e Hospital Adventista para monitorar a incidência de casos. Além disso, criamos o Comitê de Prevenção da Microcefalia que, entre outras ações, já está monitorando os sintomas do zika vírus em gestantes, possibilitando às unidades de saúde municipais e estaduais a notificação imediata dos casos, bem como a capacitação dos profissionais de saúde”, concluiu Bernardino Albuquerque.

 "Estamos buscando uma interação para, assim como vencemos a cólera,também vencermos o Aedes aegypti", disse o prefeito de Manaus


“Estamos buscando uma interação para, assim como vencemos a cólera,também vencermos o Aedes aegypti”, disse o prefeito de Manaus

Estratégias e ações de controle

A principal estratégia que será adotada para evitar uma epidemia por zika vírus em Manaus e nos demais municípios amazonenses será o combate ao mosquito Aedes aegypti. Por isso, as ações de controle serão intersetoriais, priorizando a eliminação de criadouros e do mosquito adulto, além de grande mobilização social.

“Sem a ajuda da população não será possível vencer essa guerra. Por isso o enfoque das nossas campanhas tem sido ‘Dez Minutos Contra a Dengue’, esse é o tempo que cada cidadão deve dedicar, pelo menos, semanalmente para fazer monitoramento de criadouros na sua residência”, explicou o secretário municipal de Saúde (Semsa), Homero de Miranda Leão.

Além das secretarias de Saúde do estado e municípios, também serão envolvidas as secretarias de Educação, Infraestrutura e Limpeza Urbana, além de instituições parceiras e da sociedade civil. “Pela primeira vez o país vive a iminência de uma epidemia tríplice e de gravidade estrema, causada por um único mosquito. O que assusta ainda mais é a relação do zika vírus aos casos de microcefalia. O mosquito transmissor está presente em todos os lugares, o que não é motivo de pânico, mas precisamos estar atentos e assumir nossa responsabilidade”, reforçou o secretário de estado de Saúde (Susam), Pedro Elias.

Mais números

Aproximadamente 34 dos 62 municípios que compõem o Amazonas têm a presença do mosquito Aedes aegypti, conforme aponta o balanço feito em novembro pela Fundação de Vigilância em Saúde (FVS). Esse último mapeamento também mostrou que Guajará e Lábrea são os municípios com maior risco epidemiológico. Em Manaus, os bairros do Zumbi e do Armando Mendes, ambos na zona Leste da cidade, apresentam maior risco pela grande presença do mosquito.

De modo geral, Manaus apresenta médio risco para a transmissão de dengue, zika vírus e febre chikungunya, de acordo com o Levantamento Rápido de Índice de Infestação para Aedes aegypti (LIRAa). A capital amazonense vem mantendo estabilidade no risco de transmissão e queda no índice de infestação predial. O levantamento foi feito entre 9 e 25 de novembro e no mesmo período do ano passado demonstrou que o índice na capital era de 2,9, o dobro do que a cidade apresenta hoje, apesar de se manter na faixa de médio risco.

Com informações da assessoria

Comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Subir