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Manaus é a 4ª cidade do país mais cara em alimentação fora de casa

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Almoço pode custar até 3,71% de um salário mínimo em Manaus, onde o preço médio da refeição é de R$ 29,21 – fotos: divulgação

Nos últimos 12 meses, a alimentação fora de casa ficou em média 10,03% mais cara, alta acima da inflação no período, que foi de 8,13%.

O almoço pode custar até 3,71% de um salário mínimo em Manaus, onde o preço médio da refeição é de R$ 29,21. O valor é o quarto maior do país, de acordo com uma pesquisa da Associação das Empresas de Refeição e Alimentação Convênio para o Trabalhador (Assert).

O levantamento da Assert levou em consideração o chamado prato feito ou comercial, refeição a quilo ou a preço fixo, prato executivo e a la carte. Na capital amazonense, a refeição comercial ou prato feito sai em média por R$ 22,88; enquanto o self-service custa R$ 26,66, o prato executivo sai por R$ 43,55, e o à la carte a R$ 65,74.

A servidora pública Juliana Cruz, 28, contou que há dois meses pagava R$ 11 por um prato popular num restaurante de um shopping na Zona Centro-Sul de Manaus. Nesta semana ela voltou ao estabelecimento que é de franquia nacional e o mesmo prato custava mais de R$ 16.

“Está tudo muito caro nos restaurantes. Até mesmo os pratos promocionais estão com preços alterados pra cima”, observou.

A sócia-proprietária do restaurante e peixaria Betel Grill, Tatiane Maciel, relatou que teve que reajustar de R$ 25,90 para R$ 29,90 o quilo da refeição em setembro do ano passado. O motivo, segundo ela, foi o aumento dos produtos.

“Tudo ficou mais caro, a carne, o refrigerante, o feijão, o óleo, a batata. O que comprávamos com R$ 200, hoje nós compramos com R$ 300, ou seja, o nosso gasto é o mesmo só que o custo aumentou”, disse.

Ela contou que o preço da alcatra subiu de R$ 19, para R$ 23 (o quilo), o frango de R$ 3,99 para R$ 4,49, o peixe não sofreu alteração. Com a enchente de 2015, a alface passou de R$ 2,50 para R$ 4.

Produtos similares

Para não perder o cliente e oferecer o mesmo padrão a solução é trabalhar com produtos similares como, por exemplo, ovo de galinha ao invés do ovo de codorna.

“O cliente não parou de comer fora, só diminuiu a quantidade. Quem comia R$ 12, R$ 15, agora come R$ 8, R$ 10. Aquele que optava pelo suco natural, R$ 4, agora pede refrigerante, R$ 3”, frisou Tatiane.

O aumento do preço das refeições impactou diretamente no movimento de clientes e alguns estabelecimentos tiveram que demitir funcionários por conta da baixa movimentação.

O restaurante Nossas Delícias, por exemplo, já demitiu três colaboradores e a previsão, de acordo com a gerente Juçara Gomes dos Santos, é que mais outros dois sejam dispensados caso o cenário não mude.

O estabelecimento reajustou o valor da refeição em dezembro de 2014. De segunda a sexta-feira, o quilo sai a R$ 35,90, aos sábados custa R$ 41. A quentinha subiu para R$ 12 e o prato feito para R$ 13. Segundo Juçara, o preço é reajustado de ano em ano, mas geralmente só é acrescentado R$ 1.

“Os produtos estão muito caros. A carne está muito cara, estamos comprando mais frango e peixe e inventando novos pratos. A saca da cebola que custava entre R$ 70 e R$ 80, agora custa R$ 120. Só compramos quando tem promoção nos supermercados”, disse.

Nos últimos 12 meses, a alimentação fora de casa ficou em média 10,03% mais cara, alta acima da inflação no período, que foi de 8,13%

Nos últimos 12 meses, a alimentação fora de casa ficou em média 10,03% mais cara, alta acima da inflação no período, que foi de 8,13%

O presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares do Estado do Amazonas, José Roberto Tadros, observou que, inevitavelmente, houve o aumento do preço da alimentação fora de casa, em consequência dos reajustes de preços dos combustíveis, energia elétrica, insumos industriais, entre outros.

“Obviamente como os bares, restaurantes e lanchonete apenas processam, eles tiveram que repassar os custos para o consumidor”, salientou.

Como há uma liberdade de preço, Tadros ressaltou que não tem como estimar o percentual do aumento registrado nos últimos meses nos estabelecimentos de Manaus. Mas destacou que o empresário reajusta dentro do suportável, visto que não adianta colocar um preço muito alto se não vai vender.

“Se o custo aumentou 10% ele repassará 10%”, salientou.

O empresário evidenciou que o governo federal não sinaliza mudança. Pelo contrário, a inflação chega a 8,23%, a energia e os combustíveis sofreram aumento de quase 15%, e alguns tributos de até 150%.

“O preço começa a subir na fonte da produção, na agricultura, na indústria, e o comércio é um mero repassador de custos”, finalizou.

Por Silane Souza (Jornal EM TEMPO)

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