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Malásia acusará por homicídio duas suspeitas de matar irmão de ditador

O procurador-geral da Malásia afirmou nesta terça-feira (28) que as duas mulheres detidas sob suspeita de terem matado o meio-irmão do ditador da Coreia do Norte serão acusadas de homicídio e podem ser condenadas à pena de morte.

A vietnamita Doan Thi Huong e a indonésia Siti Aishah foram presas dias após o ataque a Kim Jong-nam no aeroporto internacional de Kuala Lumpur, ocorrido no dia 13. A autópsia confirmou que ele foi morto com gás VX, agente químico que integra a lista da ONU de armas de destruição em massa. O tempo de ação do gás foi de cerca de 20 minutos.

A Coreia do Sul e os Estados Unidos acreditam que Kim Jong-nam foi alvo de um assassinato orquestrado pela Coreia do Norte. Crítico ao regime do meio-irmão Kim Jong-un, ele vivia no exílio no território chinês de Macau.

A polícia da Malásia também prendeu um norte-coreano -que, no momento, não será indiciado- e identificou outros sete cidadãos do país suspeitos de envolvimento no crime -eles, porém, fugiram da Malásia no dia do assassinato.

As duas mulheres afirmaram aos investigadores que foram enganadas e achavam que participariam de um quadro de um programa de TV. A indonésia Aishah disse ter recebido US$ 90 para participar da ação. A polícia malasiana, porém, alega que elas sabiam o que faziam, tendo lavado as mãos depois de jogar o gás no rosto de Kim Jong-nam.

Ambas têm origens humildes. Huong é filha de um fazendeiro de arroz do norte do Vietnã e saiu de casa aos 18 anos. Segundo a polícia malasiana, ela trabalhava na área de entretenimento. Não foi informado um emprego específico ou seu status de imigração.

Aishah vivia uma vida tranquila em uma favela da capital indonésia, Jacarta, de acordo com antigos vizinhos. Ela trabalhava no negócio de costura do então marido até a separação do casal, em 2012. O sogro de Aishah relatou que ela voltara a Jacarta no dia 28 de janeiro para visitar o filho de sete anos.

Uma comitiva de altos diplomatas da Coreia do Norte chegou à Malásia nesta terça-feira com o objetivo de recuperar o corpo de Kim Jong-nam. O regime, no entanto, não reconhece que o meio-irmão de Kim Jong-un tenha sido assassinado. Pyongyang trata o caso como a morte de um cidadão norte-coreano com passaporte diplomático.

A Coreia do Sul pediu “medidas coletivas” da comunidade internacional contra a Coreia do Norte, incluindo uma eventual suspensão do assento de Pyongyang nas Nações Unidas.

Para Seul, os países-membros podem invocar a violação da Convenção de Armas Químicas, pacto assinado em 1993 por quase todos os países do mundo -a Coreia do Norte não foi um deles.

O ministro sul-coreano de Relações Exteriores, Yun Byung-se, afirmou que “o recente assassinato é um sinal de alerta a todos nós da capacidade das armas químicas da Coreia do Norte e sua intenção de usá-las”.

Folhapress

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