Dia a dia

Mal conservados, veículos comprometem o trânsito

Para combater a circulação dos veículos que não apresentam condições físicas de circulação, a autarquia vem realizando diariamente operações em pontos estratégicos - foto: Gerson Freitas

Um levantamento feito pelo Detran dá conta de que a cada cem veículos parados nas blitze, de 15% a 20% dos carros apresentam algum tipo de irregularidade – foto: Gerson Freitas

Da frota de 829.341 veículos registrados em Manaus, 1.609 foram retirados de circulação somente este ano por apresentar mal estado de conservação, conforme o Departamento Estadual de Trânsito (Detran–AM). No mesmo período do ano passado, 1.094 veículos inaptos a trafegar foram retirados das ruas.

Levantamento da autarquia dá conta de que a cada cem veículos parados nas blitze, de 15% a 20% dos carros apresentam algum tipo de irregularidade em relação às condições físicas ideais para circulação.

De acordo com o diretor-presidente do Detran-AM, Leonel Feitoza, pneus carecas, mecânica, lataria e sistema de sinalizações são alguns dos problemas frequentemente encontrados nos veículos automotivos abordados pelos agentes de trânsito. “O parqueamento está lotado desses carros, que na maioria dos casos chegam a ser leiloados. Sempre realizamos campanhas educacionais informando o risco de circular com veículos em condições precárias.

Só que falta a conscientização do condutor em contribuir no combate à redução de acidente de trânsito”, comenta.

Para combater a circulação dos veículos que não apresentam condições físicas de circulação, a autarquia vem realizando diariamente operações em pontos estratégicos da cidade, segundo Feitoza. “Estamos intensificando essas ações para garantir a segurança, tanto do condutor do veículo como a dos pedestres. Esses automóveis que circulam em péssimas condições são riscos constantes à população, uma espécie de bomba-relógio, pronta para provocar um acidente a qualquer momento”, observa.

Conforme a resolução 558/1980, do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), o artigo 230 dá conta de que conduzir o veículo em mau estado de conservação, comprometendo a segurança, ou reprovado na avaliação de inspeção de segurança e de emissão de poluentes e ruído, gera multa grave de R$ 127,69 e retenção do veículo para regularização. Além da perda de 5 pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

Orçamento apertado

O feirante Aldemir Santos, 45, que possui uma Kombi, com ano de fabricação de 1982, em condições físicas não muito adequadas para circular nas ruas de Manaus, afirma que a maior dificuldade de manter o veículo dentro das normas de segurança determinadas pelo Código Brasileiro de Trânsito (CBT) é a questão financeira. “Para deixar o carro adequado, que para mim serve como instrumento de trabalho, eu precisaria ter no mínimo uns R$ 3 mil.

Esse valor para um feirante é considerado alto demais. Ou trabalho para sustentar a família ou trabalho para reformar o carro, que neste momento não é prioridade, mesmo sabendo que estou andado irregular pelas ruas. Sei que posso ser penalizado, mas esse é o preço que qualquer cidadão na minha situação está exposto a pagar”, avalia.

O vendedor de frutas Francisco Pereira compartilha da mesma situação do feirante. Ele afirma que comprar um novo carro neste momento de crise é quase impossível e que a manutenção da sua Chevy, modelo 1980, custa mais caro que manter um filho. “Quando conserto uma coisa, quebra outra. Não posso todo mês ficar investindo em manutenção, carro novo então, está fora dos planos. Já desisti de arrumar o carro e quando apreenderem ficarei sem meu trabalho”, declara.

Por Gerson Freitas

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