Editorial

Mais tempo para os lixões

É surpreendente saber que “59 dos 62 municípios apresentaram, no período que a lei exigia, um plano sobre os resíduos sólidos e isso no maior Estado da Federação, com realidades distintas”, como destacou ontem no relatório sobre a Política Nacional de Resíduos Sólidos, a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM).

Surpreende que esses municípios tenham cumprido o prazo de quatro anos – a lei é de 2010 –, como não é usual e tenham se mostrado mais eficientes do que os gestores da Copa, que tiveram sete anos para construir o cenário deprimente de 7 a 1 e deixar um legado que, até hoje, ninguém é capaz de relatar com a mesma euforia. No entanto, cessa aí a comparação com a Copa: o plano dos municípios amazonenses não saiu do papel: em julho deste ano, um mês antes de se cumprir o prazo, os voos para o Festival de Parintins só podiam ser realizados à noite, quando se sabe que os urubus dormem sem dar um pio.

O relatório da senadora amazonense sustenta que a lei que dispõe sobre os resíduos sólidos “apesar de adequada e bem elaborada, não foi realista ao dar aos municípios quatro anos para erradicarem os lixões”. Não surpreende: o governo federal costuma distribuir tarefas que recaem sobre os ombros dos municípios, com a maior carga e o menor custeio – o grosso da verba fica mesmo no Planalto Central do país, que põe e dispõe sobre como gastá-la.

Agora, o relatório pede mais prazo para que o plano de acomodação dos resíduos sólidos saia do papel. Mais prazo, mais verba e mais assistência para garantir que o plano foi feito de “maneira realista” em cada município. Até o Planalto consentir com essas exigências, os zelosos municípios amazonenses terão que esperar que os urubus durmam, para ver um avião pousar em suas cidades. Qual a surpresa disso?

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